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A
Mansão dos Cinco Portais

José Maurício Guimarães
Uma análise
superficial nos permite distinguir cinco processos do espírito
humano:
Primeiro: a INTELIGÊNCIA,
capacidade de compreender idéias. Cada um de nós nasce com
certo grau de inteligência para resolver problemas, planejar, raciocinar
e, em nível mais elevado, abstrair idéias. Inteligência
é também poder de adaptação: segundo Piaget,
é uma organização cuja função
estrutura o universo assim como o organismo estrutura o meio imediato".
Consiste na faculdade de conhecer, compreender, aprender e resolver novos
problemas e conflitos, adaptando-se a novas situações. Inteligência
é, portanto, a capacidade de colocar em movimento as funções
psíquicas e psicofisiológicas para o conhecimento
e a compreensão da natureza das coisas e significado dos fatos.
Há vários tipos de inteligência que podem (ou não)
ser desenvolvidos durante a vida: A inteligência motora é
a mais corriqueira: funda-se na expressão corporal e na concepção
de espaço, distancia e profundidade relacionadas com o controle
sobre o corpo. É o caso dos esportistas e dançarinos. A
inteligência linguística é a aptidão
de a pessoa se expressar oralmente ou por escrito. A inteligência
intrapessoal é o dom de se entender o que as pessoas pensam,
sentem e desejam. Aliada à inteligência interpessoal,
forma a base da liderança. Ninguém pode liderar se entende
errado o que o grupo pensa, sente ou deseja; nem mesmo se distorce essa
realidade impondo seus devaneios e vaidades sobre os objetivos de uma
instituição. Há ainda a inteligência espacial:
criar, imaginar e construir formas e enxergar as coisas num âmbito
tridimensional. E a inteligência musical: criar, imaginar,
expressar idéias no tempo e no âmbito sonoro. Todavia, a
mais refinada de todas é a inteligência lógica
- facilidade para encontrar solução de problemas complexos,
sem a qual nenhuma das anteriores funciona a contento e ao máximo.
O segundo processo
do espírito é a CULTURA que abrange todas as formas
de vida e crenças partilhadas por grupos sociais e a interação
com os outros, dentro e fora do grupo. Cultura depende de elevada inteligência.
Quanto maior a inteligência, maior a facilidade de se assimilar
o conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos,
tradições, valores morais, espirituais e costumes de um
grupo social. Quanto mais inteligência, maior a facilidade de serem
integrados na personalidade o complexo de atividades, e novos padrões.
Por causa disso, pessoas de cultura são invejadas e erroneamente
taxadas de "intelectuais". Podem ser perseguidas, levadas
"para a fogueira" ou simplesmente deixadas de lado para
morrerem à míngua. A politicagem e os projetos de poder
são os maiores inimigos da Cultura. Todos os grandes cientistas,
escritores e líderes autênticos tinham elevada cultura: Arquimedes,
Isaac Newton, Sigmund Freud, Niels Bohr, Machado de Assis, Fiodor Dostoievski,
Louis Pasteur, James Joyce, Albert Einstein, Guimaraes Rosa, Charles Darwin,
Winston Churchill e outros.
A SABEDORIA
(terceiro aspecto) também depende da inteligência e de um
certo grau de cultura. Sabedoria é, antes de tudo, a capacidade
que movimenta o homem rumo à identificação de
seus erros e em saber corrigi-los. A sabedoria usa o conhecimento
para edificar a felicidade, pois as coisas deste mundo devem ser úteis
ou produzir felicidade; de outra forma são prejudiciais e devem
ser descartadas. Dizem que Salomão pediu a Deus apenas
a sabedoria. Pediu muito, pois, assim, pediu tudo: o justo conhecimento,
a temperança, a reflexão, a sensatez e o discernimento inspirado.
A sabedoria elevada
à sua mais alta potência torna-se SAPIÊNCIA
(quarto aspecto). As Ordens Iniciáticas chamam sapiência
de GNOSE, Luz ou proficiência. É o tesouro procurado
nos umbrais do Inefável, é o Santo Graal ou Palavra
Perdida. Só uma minoria chega a esse ponto, pois "muitos
são os chamados e poucos os escolhidos". A sapiência
(Magnum Opus, Iluminação) é a única
e verdadeira Arte (Arte Real) de usar o conhecimento de forma adequada,
visando o lado humanístico - ou seja - a perspectiva antropocêntrica
no domínio lógico (eficácia relativamente à
ação humana) e no ético (criação
dos valores morais). Salomão tinha sabedoria mas não
alcançou a sapiência de um Buddha.
Por último
(mas não a última) temos a SANTIDADE que se
resume em virtude e pureza elevadíssimas. A santidade pode dispensar
a cultura, mas não existe sem algum tipo de inteligência
e sabedoria. Paradoxalmente, é um Grau acima da sapiência.
O exemplo marcante na história humana é São Francisco
de Assis, mas todos os Grande Mestres (reais ou mitológicos)
foram Santos e Sapientes: Rama, Orfeu, Lao-Tse, Krishna, Jesus, Hermes,
Buddha.
Se não podemos
possuir todos esses atributos em alto nível, optemos pela Santidade
- não aquela do santarrão que finge devoção
ou moralismo, mas a Santidade do homem Justo, Virtuoso e Puro como preconiza
a Senda da Iniciação.

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