Cirurgia para Cura da Diabetes

MEDICINA
Demóstenes Torres faz cirurgia revolucionária contra o diabetes

Senador é operado pelo cirurgião goiano Áureo Ludovico De Paula, que desenvolveu técnica inédita para
curar uma das mais terríveis doenças da humanidade.


CEZAR SANTOS

No dia 19 de janeiro, no Hospital Albert Einstein, o senador Demóstenes Torres foi submetido a um procedimento que promete revolucionar o tratamento do diabetes. A técnica, denomina-da freio neuroendócrino no tratamento do diabetes, foi desenvolvida pelo cirurgião Áureo Lu-dovico De Paula, e é feita por laparoscopia (através de pequenas incisões, ou seja, não há corte cirúrgico). A cirurgia foi a opção do senador para curar a doença prevalente em sua famí-lia e que já matou pelo menos dois irmãos e o pai. Por ser minimamente invasiva, no dia se-guinte Demóstenes já estava caminhando no corredor do hospital.


Demóstenes Torres: "Espero estar curado em um ano"

Menos de dois meses depois, Demóstenes Torres diz que se sente muito bem. "Ainda não es-tou curado, as estatísticas mostram que 41% se curam no primeiro mês e 55% no primeiro ano. Estou nessa do primeiro ano. Mas o importante é que meu estado físico está muito me-lhor. Perdi em torno de 15 quilos, estou fazendo exercícios físicos. Minha glicose, que chega-va até a 200, tem oscilado para baixo e já chegou a dar até menos de 100. Minha expectativa é de que dentro de um ano eu esteja curado, e foi isso que o doutor Áureo me disse."

Demóstenes está tão bem que até a pressão arterial, que sempre foi boa, 11 por 7, baixou pa-ra 11 por 6. Ele tomava muitos remédios e agora está tomando apenas três comprimidos por dia, de uma medicação mais fraca. E à medida que for diminuindo o nível de glicose no san-gue, diminui também essa medicação até eliminá-la totalmente. Ele tomava remédios para nor-malizar a taxa de colesterol. "Agora já não preciso, o colesterol está normalizado sem medica-ção."

Demóstenes Torres não era um doente em situação crítica. Não tinha, por exemplo, nenhuma restrição alimentar nem seqüelas da doença. Ele conta que optou por fazer a cirurgia para evi-tar que aparecessem essas seqüelas, como problema hormonal ou cardíaco. Os efeitos do di-abetes são conhecidos de perto pelo senador, oriundo de uma família de dez irmãos, com cin-co deles acometidos pela doença.

"Meu pai morreu praticamente cego por conta do diabetes. Um irmão morreu no ano passado, também praticamente cego e fazendo hemodiálise. Meu irmão mais velho morreu na década de 80 com problemas cardíacos sérios, morreu infartado. Somos dez irmãos, metade tem dia-betes. Eu optei por fazer a cirurgia porque sabia que o que vinha depois seria muito pior. A ci-rurgia evita que apareçam esses problemas, porque coloca a gente em níveis normais", conta o senador.

Nobel - Demóstenes Torres diz que Áureo Ludovico já é uma referência na medicina nacional. "Todos os médicos brasileiros conhecem sua técnica, respeitam o que ele faz. É um cientista, muito respeitado. Tenho vários amigos que operaram com ele com resultados positivos. E dois senadores já disseram que também vão operar para a cura do diabetes", conta.

O senador diz que conversou com médicos proeminentes em São Paulo e eles são entusias-tas do procedimento criado pelo colega goiano. Segundo Demóstenes, esses médicos falam que se a técnica comprovar sua eficácia a longo prazo, se depois de dez anos os pacientes continuarem com o níveis regularizados, o método se confirmará tão revolucionária que vai quebrar a segunda maior indústria do mundo, a dos medicamentos contra o diabetes.

"Isso, segundo esses médicos, pode levar o gastroenterologista goiano a ganhar o Prêmio Nobel de Medicina. É uma expectativa que tem razão de ser. É uma possibilidade, segundo esses médicos, que são profissionais também renomados e que reconhecem a importância da técnica desenvolvida pelo Áureo", diz.

O bisturi e o laparoscópio de Áureo Ludovico não são novidades na família de Demóstenes. Ele já tinha operado o filho mais velho do senador, que com 17 anos era um superobeso, com mais de 140 quilos. "Hoje meu filho tem uma vida normal, com 75 quilos. Desde então, sempre conversei com o doutor Áureo, procurei me informar melhor, e optei por fazer a cirurgia para cura do diabetes."

Cura pela cirurgia é uma revolução
O goiano Áureo Ludovico De Paula tem 47 anos. É um homem que gosta de conversar e fala com grande entusiasmo de sua profissão. É um dos mais brilhantes médicos brasileiros. Curi-osidade e inconformismo talvez sejam suas características mais marcantes. Só isso explica como ele chegou a desenvolver a técnica cirúrgica que pode causar - ou está causando - uma revolução na medicina mundial. A cura do diabetes por cirurgia é isso mesmo, uma revo-lução que pode abalar impérios financeiros.

"Eu me perguntava como pode haver uma doença tão devastadora, tão prevalente, tão impor-tante do ponto de vista social e econômico e não se tem cura para ela. Daí eu quis ver de que maneira eu, como cirurgião, poderia ajudar esses pacientes. Fui estudar, pesquisar", conta Áu-reo. Ele lembra, por exemplo, que leu num artigo da década de 80 que em pacientes operados de úlcera, observou-se que certo porcentual melhorava do diabetes. Que operavam certo nú-mero de obesos e tantos por cento melhoravam o diabetes. "Pensei na possibilidade de com-binar esses fatores para modificar a história natural da doença", diz.

Áureo lembra que no Reino Unido, os maiores estudiosos de diabetes observaram que o trata-mento clínico reverteu muito pouco na história da doença. "Li esse estudo há dez anos e me surpreendi. Me perguntei como pode essa doença estar sendo tratada assim com resultados tão poucos efetivos. Os indivíduos são tratados e continuam morrendo; continuam ficando ce-gos; continuam tendo baixíssimos índices de aderência ao tratamento. Tem alguma coisa erra-da aí."

Ele revela que um estudo da Merck Sharp & Dohme, uma das maiores farmacêuticas do mun-do, publicado na semana passa, diz que apenas 30% dos pacientes conseguem aderir ao tra-tamento de forma eficaz. "Há relatos de mais de 2 mil sobre o diabetes e o tratamento sempre foi através de dietas, atividades físicas e medicamentos. Sem resolver. Isso mostra que a me-dicina está levando de goleada e não trata coisa alguma, só está dizendo que está tratando. Uma coisa é o que se fala que vai fazer, e outra é o que efetivamente se faz. Então, surgem remédios milagrosos que não mudam a história do problema."

Baseado nas suas pesquisas, ele desenvolveu a alternativa de tratar o diabetes através de ci-rurgia, uma guinada de 180 graus no tratamento da doença. De 2003 para cá, ele já operou 408 pacientes magros. Alguns já estão curados. Outros estão em franco processo de cura. Só Áu-reo faz esse procedimento no Brasil. Ele opera em Goiânia, no Hospital de Especialidades, e em São Paulo no Albert Einstein. Nos próximos dias começará a operar também no Mount Si-nai, em Nova York. No mundo a cirurgia é feita na Índia e em Milão (Itália) e está sendo implan-tada nos Estados Unidos. O detalhe, os cirurgiões que operam na Índia e na Itália foram treina-dos com o médico goiano.

Resistência - Áureo diz que enfrenta dificuldades na divulgação do procedimento justamente pelo ineditismo. "Desde o início sabíamos que a divulgação dessa técnica seria uma corrida de maratonista. Teríamos de ter resistência porque todo o resto do sistema é contra no mais amplo sentido da palavra, porque mexe com muitos interesses." Ele revela que está enfrentan-do dificuldades em muitos lugares.

"Imagine o impacto econômico que a cura do diabetes vai provocar em todo o mundo. Um pa-ciente diabético gasta R$ 1 mil por mês. Multiplique isso em escala mundial. Com a cura por cirurgia, quantos pacientes estão sendo beneficiados, mas por outro lado, quanta gente está deixando de ganhar dinheiro. Muitos estão sendo prejudicados com a cura do diabetes. São médicos, profissionais de outras áreas e a própria gigantesca e milionária indústria farmacêuti-ca que estão sendo prejudicados."

Áureo lembra que o doente diabético normalmente tem uma farmácia em casa. "Mas o que va-le é o bem maior desses pacientes. O doente curado ultrapassa as barreiras das resistências. A lógica natural da medicina é o bem comum de quem está sendo atingido pela doença, é a cura do doente. Esse é o bem maior e os eventuais prejudicados terão de se adaptar ou mu-dar de ramo", diz Áureo. (Cezar Santos)

Hormônios trabalham contra a doença
Mas o que é a técnica desenvolvida pelo cirurgião goiano? Ele explica de forma bem simplifi-cada: "Não estamos fazendo transplante de órgão, não estamos colocando célula-tronco, não estamos colocando célula embrionária. Por um procedimento que os americanos chamam de smart (esperta), estamos fazendo com que hormônios do próprio indivíduo trabalhem a favor dele contra o diabetes."

Em outubro de 2007, a revista Veja publicou material a respeito da técnica de Áureo Ludovico sob o título ´Diabetes, a esperança no bisturi´. A reportagem registrou que o método foi relata-do por Áureo na edição de agosto da revista Surgical Endoscopy, da Sociedade Americana de Cirurgiões Gastrointestinais e Endoscópicos. "Ele é o criador da técnica de interposição do íleo. Feita por laparoscopia, a cirurgia consiste em aproximar uma parte do íleo do estômago, de modo a intensificar a produção de GLP-1. A operação prevê ainda a redução de 20% do estômago, o que reduz drasticamente a produção de grelina, o hormônio do apetite. Isso leva à perda de peso e, assim, diminui a resistência à insulina. Dos 39 pacientes citados no artigo da revista americana, quase 90% ficaram completamente livres do diabetes. De cada dez, três saíram do hospital sem necessidade de nenhuma medicação antidiabética - uma cura pratica-mente instantânea. "Se apenas metade desses resultados puder ser repetida, teremos uma re-volução no tratamento do diabetes", diz Alfredo Halpern, endocrinologista, da Universidade de São Paulo. A cirurgia tem efeito, ainda, sobre uma série de outras doenças associadas ao dia-betes - hipertensão, colesterol alto e triglicérides em excesso. Há três semanas, uma equipe de pesquisadores da Escola de Medicina Mount Sinai, em Nova York, esteve no Brasil para aprender a técnica criada por De Paula. Eles vão começar a testá-la nos Estados Unidos. O sucesso da experiência brasileira serviu de incentivo para que os americanos se lançassem nessa empreitada. Até então, eles não haviam tomado essa iniciativa porque, lá, os protocolos de pesquisas com seres humanos são muito mais rigorosos e demorados".

Áureo Ludovico diz que a eficácia da cirurgia é de 91% a 96%, entendendo-se que eficácia nessa área é medida por dois fatores: baixa de glicose no sangue e retirada dos medicamen-tos que o paciente tomava para controlar seus níveis glicêmicos. "E a cirurgia, além de baixar a glicose, também reverte aos danos causados pela doença." Ele lembra que o diabetes é considerado a principal causa de cegueira e de doenças cardíacas. "Aliás, o diabetes é consi-derado uma doença cardíaca disfarçada de endócrina. Em qualquer serviço de tratamento de doenças cardíacas se verifica que 85% dos pacientes são diabéticos", explica.

No dia em que Áureo recebeu a reportagem do Opção, americanos de uma empresa cadastra-da junto ao FDA dos Estados Unidos estavam fazendo visita, como parte de uma auditagem sobre o procedimento. É um dos últimos passos para que a técnica seja aplicada nos Esta-dos Unidos, onde 25 milhões de pessoas sofrem desse mal.

No Brasil, cerca de 9% da população sofre de diabetes. Na Índia esse porcentual é quase o dobro, numa população que é seis vezes maior que a brasileira e com um expressivo contin-gente abaixo da linha de pobreza. "Por isso sempre estão vindo delegações de indianos para aprender essa técnica conosco. Em abril virá mais uma delegação de indianos", informa Áu-reo.

A técnica ainda é experimental, dentro da classificação governamental brasileira de procedi-mentos (técnicas aceitas, não-aceitas e experimentais). Para comparação, a cirurgia de obesi-dade, realizada há 15 anos no Brasil, só foi rotulada como aceita no início de 2008, ou seja, até então era experimental. É importante observar que a técnica não tem a ver com obesidade, sendo específica para tratamento de pacientes diabéticos. A indicação é para pacientes com diabetes do tipo 2, que compreende 95% dos acometidos por essa doença.

"O procedimento tem amplo alcance, porque se o indivíduo tem obesidade, essa obesidade será curada. Se ele tem pedra na vesícula, isso será corrigido, o mesmo ocorrendo com hérnia do estômago. A obesidade é apenas parte do problema", afirma. Segundo Áureo, o enfoque da cirurgia não é apenas diabetes. "Quando se faz esse procedimento, 98% curam do proble-ma do colesterol; 95% dos pacientes curam da hipertensão; 93% curam do problema do trigli-cérides; e 90% revertem o problema renal. Então estamos tratando outros problemas de saúde vinculados ao diabetes, porque normalmente esse indivíduo usa remédio para o colesterol, pa-ra os rins, para pressão." (Cezar Santos).

Colaboração: Ir.'. Cássio Theodoro




 

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