História do GOB-RS
A fundação do Grande Oriente Estadual Sulriograndense – GOESUL

Ir.'. Rosalino Dutra de Araujo


As causas que determinaram a fundação do Grande Oriente Estadual Sulriograndense -GOESUL -têm suas raízes mais profundas nos acontecimentos políticos ocorridos no Brasil, de modo particular no século XIX, nos quais a Potência do Lavradio desempenhou relevante papel, desde a sua fundação em 1822, até a Proclamação da República, no âmbito nacional. Interessa-nos particularmente, neste período, a sua ação política no Rio Grande do Sul. A história do Grande Oriente do Brasil no Rio Grande do Sul é uma colcha de retalhos, muitos dos quais desfavoráveis à Potência Maçônica do Lavradio, por motivos diversos, quase sempre conjugados. Desde a sua fundação, em 1822, o Grande Oriente do Brasil deixou transparecer a sua preferência política pelo regime republicano presidencialista. Basta lembrarmos as figuras proeminentes de Joaquim Gonçalves Ledo, Cônego Januário da Cunha Barbosa e José Clemente Pereira, fundadores do GOB e expoentes máximos da corrente maçônica no âmbito da novel instituição então criada. A corrente maçônica politicamente monarquista, que na terceira década do século XIX teve em José Bonifácio de Andrade e Silva a sua maior figura representativa, apoiado no despotismo de D. Pedro I, era majoritária na estrutura do Grande Oriente do Brasil e, por isso, politicamente forte e dominante.

Os incansáveis maçons republicanos do GOB, numericamente inferiores aos maçons monarquistas, durante o Primeiro Império, as regências e o Segundo Império, às vezes na clandestinidade, trabalhavam ativamente pela implantação do regime republicano no Brasil, o que conseguiram em 15 de novembro de 1889, após 67 anos de disputas políticas entre as duas facções em litígio. Logo após a Proclamação da Independência do Brasil, D. Pedro de Alcântara, Imperador prepotente, pôs as "unhas de fora" e mostrou toda a sua formação política despótica: fechou violentamente a Assembléia Constituinte de 1823, deportou vários deputados e reprimiu com sangue os participantes da Confederação do Equador, rebelados contra o fanático e despótico Imperador. Embora Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, o Imperador D. Pedro I mandou suspender os seus trabalhos, até segunda ordem, que nunca foi expedida pelo despótico monarca. Na clandestinidade, o GOB trabalhou incessantemente contra o Imperador D. Pedro I que, pressionado, abdicou em 7 de abril de 1831, fato que fortaleceu a corrente maçônica republicana no Brasil. Na ausência do Imperador, o GOB voltou às suas atividades normais e se lançou na campanha da abolição dos escravos, cuja libertação foi a mola propulsora da queda do II Império, com a conseqüente implantação do regime republicano. A implantação da República no Brasil foi obra da corrente maçônica republicana, cujo núcleo mais ilustre e ativo de 1822 até o fim do século XIX integrou a estrutura política e administrativa da Potência Maçônica do Lavradio. A maçonaria monarquista, também integrante das hostes de Obreiros do GOB, enfraqueceu substancialmente, após o término da Guerra do Paraguai. Dois foram os principais fatores desse enfraquecimento: a intensificação da campanha abolicionista e a morte de ilustres membros da nobreza, como o Visconde de Rio Branco, o Marechal Osório e o Duque de Caxias, os mais credenciados sustentáculos do II Império. O Grande Oriente do Brasil, desde a sua fundação ocorrida em 1822, até o fim do século XIX, foi o "quartel general" dos maçons republicanos, vigiados de perto pelos maçons monarquistas que, após a Proclamação da República, passaram a sonhar com o III Império e a Princesa Isabel a sua Imperatriz.

O primeiro governo da República, sob a chefia do Ma­rechal Deodoro da Fonseca, foi constituído inteiramente, por maçons ilustres, intimamente liga­dos ao GOB, como podemos constatar: o Presidente Deo­doro da Fonseca, Pasta da Guerra Benjamin Constant, Rui Barbosa, Pasta da Fazenda, Campos Salles, Pasta da Justiça, Eduardo Vanenkolk, Pasta da Marinha, Aristides Lobo, Pasta do Interior, Demétrio Ribeiro, Pasta da Agricultura e Quintino Bocayuva, Pasta dos Transportes.

Esses homens foram escolhidos porque representavam as maiores expressões dos ideais republicanos no Brasil que, segundo a opinião do ilustre historiador José Castellani, obri­gava os melhores homens do país e a elite intelectual da nação.

A responsabilidade pela implantação do regime republicano no Brasil, assim como as antipatias dos monarquistas privadas dos seus títulos de nobreza, recaíram sobre os ombros do GOB, fato que se agravou com a eleição do Marechal Deodoro da Fonseca, Chefe do Governo Provisório, para o cargo de Grão-Mestre do GOB, 34 dias após a Proclamação da República.

Para os monarquistas, o GOB era o grande vilão; para os republicanos, a suprema glória.
Como decorrência da implantação da República, o campo político nacional passou a ser, como nunca, dicotômico ostensivamente: O Norte, seguindo a sua vocação republicana, comprovada pelas revoluções pernambucana de 1.817 e da Confederação do Equador de 1.824, recebeu a queda do IIº Império com geral satisfação. O Sul, onde estava a maior parte da nobreza nacional, surpreso, recebeu com reservas, e até com repulsa pelo inusitado
.
Na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, particularmente, o desagrado causado pelo fim do IIº Império foi grande, e muito agitado os meios políticos, tanto republicanos como monarquistas.

Estava no governo da Província o conselheiro Gaspar Silveira Martins, no momento da Proclama­ção da República, substituindo Júlio de Castilhos, destacado prócer republicano.

Instalados no governo, os republicanos sob as or­dens de Júlio de Castilhos, com a intenção de consolidar um novo regime, provem uma campanha de perseguições políticas contra os monarquistas que, neste estado, eram numerosos e bem situados socialmente. Am­bas as facções, republicanas e monarquistas, travam uma intensa luta que resultou em um mar de sangue, consequência da Revolução de 1.893, durante a qual foram praticados crimes hediondos, por ambas as partes em conflito político.

As Lojas Maçônicas do Rio Grande do Sul, antes mesmo do início da Revolução de 1.893, sentiam o clima de guerra que estava crescendo entre republicanos e monarquistas. Os Maçons gaúchos, tanto republicanos quanto monarquistas, acreditavam em uma solução amigável entre as partes em litígio, pois ambos os Chefes, Júlio de Castilhos e Gaspar Silveira Martins, eram maçons.

As Lojas Maçônicas do Rio Grande do Sul, em sua maioria federadas ao Grande Oriente do Brasil, e freqüentadas por republicanos e monarquistas indistintamente, maçonicamente irmanados, antes mesmo do início da Revolução de 1.893, já sentiam o clima de guerra existente entre republicanos e monarquistas.

Havia, porém, uma esperança de pacificação entre as partes politicamente adversas, pois ambos os chefes políticos em confronto, eram maçons ligados ao Grande Oriente do Brasil. Gaspar Silveira Martins, foi até Grão-Mestre do GOB.

Infelizmente, a intransigência tornou a Revolução inevitável, com derramamento de sangue entre irmãos de nacionalidade, habitando o mesmo rincão, falando a mesma linguagem e com as mesmas tradições históricas de amor telúrico.

As Lojas maçônicas do Rio Grande do Sul acreditavam no poder político do Grande Oriente do Brasil, por isso, constantemente apelavam para o Poder da Ordem, situando na cidade do Rio de Janeiro, no Palácio do Lavradio. Essas Lojas, antes do conflito armado, desejavam evita-lo com a interferência do Grande Oriente do Brasil, pois o próprio Presidente da República, Floriano Peixoto estava intimamente ligado ao GOB, e tinha o seu apoio.

Sistematicamente, o Poder Central não respondia aquelas consultas, frequentemente repetidas. O GOB era todo silêncio. Para os maçons gaúchos, não envolvidos diretamente no conflito armado, que viviam num ambiente de terror guerreiro, presenciando diariamente o trucidamento de famílias inteiras, e a degradação moral de uma sociedade atropelada pelas paixões políticas de homens que haviam perdido o respeito às normas básicas de civilização. Era admissível o silêncio do Poder Central da Maçonaria Brasileira, o GOB, sobre cujos ombros pesavam as responsabilidades políticas decorrentes da queda do II Império, assim como as originárias da vigência do regime republicano que substituíra a monarquia.

O silêncio do Grande Oriente do Brasil, a ausência de respostas às consultas formuladas pelas Lojas freqüentadas por maçons republicanos e monarquistas neste Estado, desejosos de pacificação, deram origem a mágoa e ressentimentos contra o Poder Central, que passou a ser objeto de dúvidas, desprestígios e fraca credibilidade política, aqui no Rio Grande do Sul.

Que estaria acontecendo com o Grande Oriente do Brasil, nesta última década do século XIX?
Uma análise desapaixonada permite concluir que a melhor coisa que o GOB, naquele momento, poderia fazer em benefício da unidade maçônica nacional, "era silenciar politicamente" e deixar que o tempo corresse e trouxesse na sua esteira, a paz tão desejada por todos os irmãos, à sociedade brasileira em conflito, causado pela mudança abrupta do regime político no Brasil.

Descontentes, alguns maçons gaúchos de grande prestígio político entenderam que a Maçonaria do Rio Grande do Sul, à semelhança da Paulista, deveria se desligar do Poder Central, e criar uma Unidade Maçônica Estadual independente, capaz de deliberar por si mesma sobre as providências necessárias à pacificação da sociedade gaúcha, então aterrorizada com a Revolução de 1893.

Foi num clima assim, de mágoas e desconfianças políticas, que um grupo de maçons gaúchos de grande influência, no dia 14 de outubro de 1893, fundou o Grande Oriente do Rio Grande do Sul, Potência Maçônica Independente, portanto, totalmente desligada do Poder Central da Maçonaria Brasileira o GOB.

Inicialmente, poucas Lojas aderiram ao Grande Oriente Autônomo Gaúcho. Com o passar do tempo e as pregações constantes contra o Grande Oriente do Brasil, a maioria das Lojas que ficaram de fora, se filiaram ao GORGS, dando-lhe solidez e força política necessária à solução dos problemas maçônicos regionais.

Com a fundação do GORGS, o Grande Oriente do Brasil ficou em posição secundária maçonicamente no Rio Grande do Sul simplesmente "gerador de novas Lojas" que, regularizadas com o tempo passavam para o Grande Oriente do Rio Grande do Sul, algumas alegando como causa de sua transferência problemas econômicos.

O GOB reagiu numa tentativa de recuperar a sua antiga posição maçônica no Estado Sulino. Fez vários convênios com o Grande Oriente do Rio Grande do Sul, todos de pouca duração, como se pode constatar:
• Acordo de Fraternal Convivência, feito com o GORGS, em 20.09.1909, rompido em 20.07.1975. Duração: 6 anos e 10 dias.
• Acordo Modus Vivendi GOB-GORGS, em 29.01.1925. Duração: caiu no esquecimento.
• Incorporação do GORGS ao GOB, em 20.02.1.960, desfeita em 28.05.1973. Duração: 13 anos, dois meses e 8 dias.

A posição do GOB no Rio Grande do Sul sempre foi instável, instabilidade que aumentou com a criação do GORGS. Todos os tratados, inclusive a denominada “incorporação” ocorrida em 1960, foram de pouca duração: Alguns foram desfeitos e outros caíram no esquecimento, sempre com prejuízo da Potência Maçônica do Lavradio.


Ir.: Sérgio
Ir.: Oritz
Ir.: Manoel
Ir.: Jesus
Ir.: Amaro
Ir.: Mário
DATA POSSE
GRÃO-MESTRES
GRÃO-MESTRES ADJUNTOS
PERÍODO
07/07/1983
Sérgio Alexandre de Almeida
Ramão Garcia
1983  à  1987
30/05/1987
Ramão André Rodrigues Penna *
-------------------
1987  à  1987
24/06/1987
Oritz Mortari Abis
Moacir Simbemberg
1987  à  1991
22/06/1991
Manoel Soares Leães
Heraclito Victória **
1991  à  1994
01/01/1995
Jesus Gonçalves Silveira ***
-------------------
01/01  à  23/06/1995
24/06/1995
Manoel Soares Leães
Jesus Gonçalves Silveira
1995  à  1999
26/06/1999
Amaro Borges Moreira
Bilac Pacheco Leiria
1999  à  2003
26/06/2003
Mário Juarez de Oliveira
José R. do Nascimento
2003  à  2007

Fonte: Jornal do GOB-RS, cedido pela Secretaria do GOB-RS




 

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