Maquiavel justifica os meios

"Alfabeto Político" (Parte II)



José Maurício Guimarães

Quando escrevei o último artigo sobre o pensamento de Baltazar Gracian, alguns leitores se escandalizaram. Parece que os pensamentos de Gracian foram atribuídos a mim. Quanta honra! não mereço ser confundido com nenhum filósofo. Mas, como dizia o maquiavélico Maquiavel, “há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros...

Maquiavel (Niccolò Machiavelli) nasceu em Firenze (Florença) no dia 3 de maio de 1469 e morreu - para o alívio de seus inimigos - na mesma cidade, em 21 de junho de 1527. Se os leitores ficaram assustados com Gracian, preparem-se para o que pensava, dizia e escrevia Nicolau Maquiavel. Sua obra principal é "O Príncipe", escrito em 1513, publicado em 1532 e dedicado a Lorenzo II de Médici.

A palavra “maquiavélico" vem desse italiano que ensinava: “Um governante (príncipe) deve tomar como exemplo a raposa e o leão; pois o leão não é capaz de se defender das armadilhas, assim como a raposa não se sabe defender dos lobos. Deve, portanto, ser raposa para conhecer as armadilhas e leão para espantar os lobos. Os fins justificam os meios.

No Alfabeto Politiqueiro de Maquiavel há um excesso de precauções aconselhadas ao Príncipe. Uma delas é o de se abster das ameaças verbais ou insultos e, com razão, afirma que “o primeiro método para avaliarmos a inteligência de um governante é olhar para os homens que ele tem à sua volta e as companhias que ele freqüenta; devemos olhar os companheiros que tem, se são decentes e honestos. Assim, o Príncipe adquire bom ou mau nome porque é impossível que não desenvolva alguma semelhança com os que o cercam.” E acrescenta: “Para bem conhecer a natureza do povo, é necessário ser príncipe; e para bem conhecer a dos príncipes, é necessário ser do povo.”

Maquiavel, todavia, esmerou em crueldade quando ensinou uma política que ainda hoje tem seus adeptos. Vejam essa: “O amor é mantido por vínculos de gratidão que se rompem quando deixam de ser necessários; mas o temor é mantido pelo medo do castigo, que nunca falha. Os homens devem ser adulados ou destruídos, pois podem vingar-se das ofensas leves, não das graves; de modo que a ofensa que se faz ao homem deve ser de tal ordem que não se tema a vingança. Quando fizeres o bem, faze-o aos poucos. Quando fores praticar o mal, faze-o de uma só vez, pois os fins justificam os meios”.

Maquiavel olhava torto para a liberdade, dizendo: “É perigoso libertar os que preferem a escravidão, pois um povo corrompido que atinge a liberdade tem grande dificuldade em mantê-la.”

Beirando os sessenta anos e prevendo a morte próxima, Maquiavel saiu com essa: "Quero ir para o inferno, não para o céu. No inferno, gozarei da companhia de papas, reis e príncipes. No céu, só terei por companhia mendigos, monges, eremitas e apóstolos." Dizem os teólogos que ele não foi aceito nem no céu, nem no inferno.

Como sempre, foi Voltaire que melhor definiu o maquiavélico Machiavelli, dizendo: “Se Niccolò Machiavelli tivesse tido um verdadeiro príncipe como discípulo, a primeira coisa que teria lhe recomendado era escrever um livro contra o maquiavelismo.”

NOTA: Sou descendente direto de italianos natos, mas não sou responsável pelo que disse Machiavelli. Nem endosso todas suas palavras. Minha família vem da Emilia Romagna e nosso macarrão (clique aqui) é diferente daquele comido em Firenze (click aqui). Conforme sentenciou o próprio Machiavelli, “todos vêem o que parecemos, poucos percebem o que somos.”


 

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