O presente artigo representa o ponto de vista do autor e não a palavra oficial de qualquer Loja, Conselho, Potência ou Obediência Maçônica.



MÚSICA NOS TEMPLO MAÇÔNICOS
José Maurício Guimarães


1) MÚSICA RELIGIOSA:
Nas liturgias religiosas, a música tem uma função diferente da utilizada pelas sociedades iniciáticas. Nos rituais eclesiásticos, a música é uma oração cantada. O mais importante é o texto. Quando a Reforma Protestante orava o Salmo 46 - "Deus é o nosso refúgio e fortaleza" - Lutero compôs, em 1529, o famoso "Castelo forte é nosso Deus, espada e bom escudo" (em alemão, "Ein feste Burg ist unser Gott"). O ritmo e a tonalidade musical desse "Ein feste Burg” convergem para os sentimentos de confiança e vitória proclamados no texto. Muito antes da Era Cristã, o hinduísmo usava mantras, sílabas ou cânticos religiosos, uma melodia retilínea com ritmo estático compatíveis com os ideais contemplativos daquela religião. Assim também, em certas linhas do budismo e do jainismo. Entre os judeus primitivos, os Salmos (ou “Tehilim”) eram cânticos de louvor musicados. A Bíblia fornece, no início de cada um dos 150 salmos, instruções específicas para o "mestre de música". Procedimentos análogos são adotados no Islamismo quando da recitação do credo “Não Existe Nenhum Deus Além De Alá E Maomé É Seu Profeta”. As preces cotidianas ou “slãts” são convocadas por uma corneta (muezim) que soa no alto dos minaretes, convocando os fiéis à oração. Ouve-se nessas mesquitas uma salmodia também retilínea e estática, mas vigorosa e conciliável com os textos de uma fé inabalável. Nas religiões afrobrasileiras temos os pontos cantados de abertura e fechamento, de saudação ("Oxalá meu Pai tem pena de nós, tem dó"), de despedida, de defumação, etc. onde a melodia, o ritmo e, em alguns casos, as palmas e os instrumentos de percussão, agregam energia ao texto. No catolicismo, quando o sacerdote faz a invocação “Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo: tende piedade de nós” (no ritual latino "Agnus Dei, qui tollis peccata mundi: miserere nobis") a melodia, o ritmo, a combinação dos sons, e a orquestração  emolduram o texto para transmitir sentimentos de mansidão, sacrifício e contrição. No século VI, o Papa Gregório Magno selecionou as escalas (modos) dos antigos gregos e mandou adaptar as músicas dos salmos judaicos num novo gênero de música sacra. Assim nasceu o canto gregoriano cujo nome é uma referência ao Papa Gregório Magno, que estabeleceu a doutrina da supremacia papal, sujeitando todo o pensamento da época à Sé Apostólica. A música na Igreja passou a ter regras muito rígidas: tinha que ser vocal e não acompanhada de instrumentos; monofônica e monódica, porque nenhuma voz poderia sobressair sobre as demais e nenhum homem deveria chamar a atenção dos ouvidos dos santos, dos anjos ou de Deus. O ritmo era livre, isto é, sem pulsação métrica que pudesse excitar emoções ou provocar desejos físicos. Durante mais de trezentos anos, a Igreja Católica, e depois a Protestante, incentivaram os compositores a criar música litúrgica, missas, cantatas, réquiens, “te deum”, oratórios, etc. Giovanni Pierluigi PALESTRINA, Johann Sebastian BACH, George Frederic HANDEL, Wolfgang Amadeus MOZART, Joseph HAYDN e Ludwig van BEETHOVEN foram apenas alguns desses gênios.


2) MÚSICA NOS TEMPLOS INICIÁTICOS:
Devido ao sincretismo religioso próprio dos brasileiros, ainda permanece muita dúvida sobre o uso de música nas sessões maçônicas. Entende-se as Sessões Maçônicas como um "culto livre". Os rituais adotados em nossas Lojas são contraditórios, mudam com frequênciatodo mundo dá palpite. Uma legião de “achistas” mete o bedelho em assuntos específicos sem a devida consulta aos especialistas em história, ciências, artes, música, gramática, psicologia, etc. Até parece que se esqueceram daquelas Artes ou Ciências chamadas liberais demonstradas num de nossos graus. E a MÚSICA é uma delas!

Vamos considerar os seguintes aspectos:

Primeiro: os rituais antigos são razoavelmente claros quando DETERMINAM que o M.'. de Harm.'. deve selecionar e preparar, com antecedência, músicas APROPRIADAS para serem executadas durante a sessão.

O que é música apropriada? É aquela condizente com os princípios, ideais e objetivos da Maçonaria. Por exemplo: não sendo a Maçonaria uma religião, muitos defendem a utilização apenas de composições laicas. Assim, as “Ave Maria” (de Schubert ou de Gounod), tão caras aos MM.'. de Harm.'. durante os ritos do L.'. da L.'., não teriam razão de ser. Nossos Templos abrigam católicos, protestantes, islamitas, judeus, budistas, etc. e não seria justo “impor-lhes” esse cântico que evoca a “Nossa Senhora” da Igreja Católica. Por outro lado, muitas Lojas sentem-se harmonizadas e elevadas com as “Ave Maria” e os obreiros, independente de suas convicções, “gostam” daquela música naquele exato momento. Pessoalmente, eu gosto muito. Mas, deve-se fazer o que é certo ou o que agrada? O que nos agrada, façamos na nossa casa; nas Lojas, devemos nos esforçar para fazer o que é correto.

Segundo: a não ser em pouquíssimas ocasiões, não há necessidade de que a música emoldure o que está se passando no ritual maçônico. Isso acontece umas quatro vezes nos Graus Simbólicos e noutros dois ou três momentos dos Graus Superiores. De forma alguma, a música deve permanecer tocando o tempo todo, cobrindo as falas e desviando a atenção sobre o que se passa. Dizem as instruções: “O M.'. de Harm.'. colocará música apropriada, que cessará QUANDO...” A não ser que algum Irmão solicite um “fundo musical” para a leitura de prancha de sua autoria, o som deve permanecer desligado durante as falas do Venerável, dos Vigilantes, demais Oficiais e Obreiros; não deve haver "fundo musical" durante a leitura do expediente, atos, decretos, balaústre, instruções, etc. Dizem as normas: “O M.'. de Harm.'. coloca música apropriada, em volume que não abafe as vozes dos participantes da solenidade”. Vale a regra: enquanto há apenas movimentação, a música é livre, desde que apropriada; durante as falas, a música só serve para atrapalhar.

Terceiro: Na prática, deve prevalecer o bom senso. Espera-se que o M.'. de Harm.'. deva ser uma pessoa sensível e dotada de bom gosto musical; deve conversar com o Venerável sobre o que seria música apropriada para os trabalhos de sua Oficina; pode reservar algum tempo para consultar os Irmãos do quadro sobre o que acham justo e razoável na escolha das músicas. Há entre nós pessoas esclarecidas nesse assunto. É aconselhável evitar músicas com ritmos deprimentes ou com letras que possam agregar algum sentido extra ao simbolismo. E são de extremo mau gosto as composições populares de conotação burlesca, para mero entretenimento, de dança, troça ou brincadeira. 

Comentário: Nas Lojas dos Estados Unidos prevalece o seguinte critério: "o Mestre de Harmonia (organist”) está autorizado a selecionar e tocar o que for de sua escolha, com uma exceção (“with one exception”) [que não vamos dizer qual é]. O caminho mais fácil para compreender quando e o que tocar é dividir a reunião em pequenas partes e ter sempre à mão músicas previamente selecionadas e testadas para cada tipo de ritual”. Nas Lojas Inglesas a questão é encarada com mais rigor. Há uma lista de músicas cuja utilização é permitida. Se o M.'. de Harm.'. (“organist”) inventar coisas, ele provavelmente será  substituído por outro.

Orientação: Todos sabem que a harmonia e os sons suaves elevam os sentimentos generosos, enquanto o ruído, a agitação sonora e a barulheira só servem para irritar as pessoas. Volume alto e desafinações confundem o pensamento e produzem sentimentos desagradáveis. Existe uma série de estudos científicos e relatórios médicos que associam o mau uso da música com a surdez prematura, infarto e até mesmo com a demência. O Dr. Ernesto Artur – cardiologista, fala da “audição de uma boa música” em seus doze conselhos sobre infarto. Noutros estudos, há referência sobre hospitais que usam música para acelerar a recuperação de cardíacos (divulgadas em abril de 2009 pela Cochrane Collaboration, rede global dedicada a revisão e análise de pesquisas na área da saúde). Foram avaliados 23 estudos com dados de 1.461 pacientes que se submeteram a sessões de música durante a internação após cirurgia ou infarto. A maioria dos trabalhos comprovou que a música apropriada ajudou a reduzir a pressão sanguínea, normalizou o ritmo cardíaco, a frequência respiratória, eliminou a ansiedade e a dor nos pacientes estudados. E por aí vai. Portanto, cuidem-se!

COMPOSITORES MAÇONS:
A Maçonaria, desde o princípio, beneficiou-se da boa música em seus trabalhos e práticas ritualísticas. Nosso Ir.’. MOZART, compôs várias peças maçônicas como “A Viagem do Companheiro”, “Abertura e Encerramento da LojaK.483 e 484; “Três Cantatas” K.471, K.619, K.623, “Elegia Orquestrada” K.497 e a magistral “A Flauta Mágica”. Além dessas composições, MOZART escreveu outras de cunho nitidamente iniciático, especialmente "Masonic Funeral Music", K.477; "Gesellenreise", K.469; O "Heiliges Band", K.148, "Zerflieszet Heut, Geliebte Bruder", K.483, "Ihr Unsre Neuen Leiter", K.484. Recomendo a leitura de: "Mozart: O Grande Mago" de Christian Jacq, Bertrand Brasil, 2009 e "O Efeito Mozart" de Don Campbell, Rocco, 2001 (Don Campbell explora o poder da música, especialmente a de Mozart, para curar o corpo, fortalecer a mente e liberar a criatividade.)

Na medida do possível, devemos selecionar músicas maçônicas, ou de compositores maçons, ao invés de composições profanas ou religiosas. A título de exemplo, foram maçons o inglês Arthur SULLIVAN, o brasileiro Carlos GOMES, Charles Francis GOUNOD , Claude DEBUSSY, Felix MENDELSSOHN-BARTHOLDY, Franz DRDLA, Franz LISZT, George GERSHWIN, Giacomo MEYERBEER, Ignaz Joseph PLEYEL, Jan SIBELIUS, Johan Napomuk HUMMEL, Johann CHRISTIAN BACH, Joseph HAYDN, Joseph ROUGET DE LISLE , Jules MASSENET, Ludwig van BEETHOVEN , Luigi CHERUBINI, Nicolas MEHUL e tantos outros. Com facilidade podemos selecionar mais de 400 músicas apropriadas aos nossos trabalhos. Não precisamos ser radicais e permanecermos no campo erudito. Há uma plêiade de compositores populares brasileiros cujas músicas, quando instrumentais e bem interpretadas, podem fazer parte do repertório do M.'. de Harm.'. - Lamartine Babo, Luiz Gonzaga, Luis Vieira, Pixinguinha, Vicente Celestino, Zé Rodrix e outros. Em qualquer loja de discos ou nas bancas de jornal podem ser encontrados CDs com músicas desses compositores.

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