A AGONIA DO LANGUEDOC - Obscurantismo 2

Ir.'. José Maurício Guimarães


Em 646 d.C. a Biblioteca de Alexandria foi destruída deixando uma lacuna irreparável na História e no conhecimento humanos.

Por mais de 500 anos o "establishment" gozou de relativo sossego na Europa até que, no sul da França, floresceu uma cultura ímpar trazida do Oriente Médio pelos Templários. Já havia em Carcassonne, Béziers, Albi, e Toulouse planos para a criação de universidades, academias e bibliotecas sob o patrocínio do conde Raymond VI de Toulouse, seguidor da fé cátara. A agricultura seguia métodos adiantados, os cidadãos gozavam de maiores liberdades e cristianismo era estudado em seus fundamentos.

O catarismo era uma religião filosófica derivada das profecias de Manes. "Cátaro" significa "puro" e, neste sentido, eles procuravam se inspirar nos antigos essênios. No século XII, províncias inteiras do Languedoc praticavam o catarismo e, paralelamente à nova fé, tinham língua própria (langue d’oc ou "occitane"). Segundo eles a encarnação do Espírito do Cristo foi o real sacrifício simbolizado na cruz. No campo moral, afirmavam que o verdadeiro amor não é carnal, mas transcendente e mediante a contemplação da mulher ideal intermediária entre o plano espiritual e os homens.

Em novembro de 1215 o Concílio de Latrão IV tomou as terras de Raimundo VI e Raimundo II de Trencavel. No mesmo ato, nomearam Montfort duque da Narbona, conde de Toulouse e visconde de Carcassonne e Rasez. O brutal Arnaud Amaury foi elevado a arcebispo militar de Narbona.

Quatorze anos depois, o Concílio de Toulouse determinou: "Proibimos aos leigos de possuírem o Velho e o Novo Testamento (...)proibimos ainda mais severamente que estes livros sejam possuídos no vernáculo popular. As casas mais humildes lugares de esconderijo, e mesmo os retiros subterrâneos de homens condenados por possuírem as Escrituras devem ser inteiramente destruídos. Tais homens devem ser perseguidos e caçados nas florestas e cavernas, e qualquer que os abrigar será severamente punido." (Tolosanum, Gregório IX, Anno Chr. 1229, Canons 14:2). Foi neste mesmo Concílio que se decretou a Cruzada contra os albigeneses ou cátaros do Languedoc, acusando-os por heresia. Dizia o texto: "Essa peste assumiu tal extensão, que algumas pessoas indicaram sacerdotes por si próprias, e alguns distorcem a verdade do evangelho para os seus próprios propósito sendo que a explanação da Bíblia é absolutamente proibida aos membros leigos.

O Papa temia que o catarismo se transformasse numa reação política contra a corrupção existente nalguns segmentos da hierarquia eclesiástica. Para piorar as coisas, o legado papal de Toulousse foi assassinado e a Igreja atribuiu o crime aos cátaros. Apesar dos esforços do Conde Raymond VI para inocentá-los, Inocêncio III convocou uma cruzada contra o sul da França. O lema dessa cruzada, criado pelo soldado Arnaud Amaury, era: "Matai a todos; Deus reconhecerá os seus".

No dia 22 de julho de 1209, um exército de bêbados trucidou a população de Béziers, cristãos ou não. Em seguida, foi a vez de Carcassone onde os cidadãos tiveram permissão de deixar a cidade com vida, porém nus e desapropriados de seus bens. Durante as operações militares, os conquistadores marcavam os corpos dos habitantes decepando uma orelha, cortando dedos das mãos, perfurando um olho ou cortando a ponta da língua. Então, enviavam esses mutilados a pé e sangrando para a cidade mais próxima com o aviso de que o exército de Deus se aproximava.

Todo o Languedoc foi exposto a uma terrível agonia que a história oficial tentou, até recentemente, jogar nos porões do esquecimento. A parte mais civilizada da Europa foi entregue ao saque de bandidos disfarçados em soldados de Cristo.

Essas histórias, redigidas pelos cronistas entre 1180 até 1230, fazem parte do chamado “ciclo do Santo Graal”. Dizem as lendas que, durante o assalto das tropas à fortaleza de Montsegur, apareceu no alto das muralhas uma figura coberta por uma armadura branca. Os soldados recuaram temendo ser um guardião do Santo Graal.

Alguns especuladores admitem que, prevendo a derrota, os cátaros emparedaram, nos muros subterrâneos de Montsegur, um segredo trazido do Oriente pelos Templários durante o período em que Gilbert Horal fora Grão-Mestre da Ordem. Esse segredo estaria oculto até os dias de hoje.

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Leitura recomendada:
1 - "A Cruzada dos Cátaros e Albigenses" - Aubrey Burl (MADRAS);
2 - “Les cathares” – Arno Borst (Payot, Paris 1974);
3 - "No Caminho do Santo Graal - Os Antigos Mistérios Cátaros" - Antonin Gadal (Rosacruz Editora);
4 - “La croisade Albigeois et l’unité française” – François Louis Ganshof (Éditions Universitaires, Bruxelles, 1944);
5 - "O Retorno dos Cátaros" - Jorge Molist (Planeta do Brasil)
6 - “Heresia, cruzada e inquisição na França Medieval” – J.Rivair Macedo (Editora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2000);
7 - “L’Épopée cathare” – Michel Roquebert ( Toulouse 1977);
8 - "Os Cataros e a Reencarnação" - Arthur Guirdham (Editora PENSAMENTO).


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