O obscurantismo contra GIORDANO BRUNO
Obscurantismo 3


Ir.'. José Maurício Guimarães


"O obscurantismo e a brutalidade têm mais medo de pronunciar minha sentença do que eu em escutá-la!".

Foi assim que Frei Giordano Bruno de Nola respondeu ao último ato do Grande Inquisidor. De cabeça erguida, Giordano não se submeteu. Mostrou uma força e uma coragem que estremeceram a corte de julgamento. Não abjurou quando o establishment pronunciou sua condenação à morte na fogueira. Pelo contrário, afrontou ainda mais os juízes; cuspiu na direção deles.

Quem era aquele homem? Um louco?

Giordano Bruno foi um teólogo, filósofo, escritor e frade dominicano. Nasceu em Nola no ano de 1548 e foi executado pela Santa Inquisição no Campo de Fiori em 17 de fevereiro de 1600. Acusação: heresia, satanismo e prática de ciências ocultas.

- Vocês têm mais medo de pronunciar minha sentença do que eu em escutá-la!

O réu foi arrastado para fora da sala pelos soldados. Giordano Bruno continuava gritando, desvairado, suas teorias filosóficas. Repetia sem cessar sua visão da astronomia e recitava, aos berros, os novos conceitos matemáticos que desenvolvera. A cada vez que pronunciava sobre o universo infinito e a multiplicidade dos sistemas siderais, mais os verdugos o açoitavam e davam-lhe pontapés. Encarcerado numa masmorra úmida e escura, Giordano continuou gritando suas teorias:

-“Vocês não podem ignorar a natureza das idéias e o processo associativo na mente humana! O universo não é finito; finita é a inteligência de vocês! Não há um céu de estrelas fixas, tudo move! Tudo evolui! Imbecis! Assassinos! O futuro há de provar o que eu digo e ensino!”

Toda essa tragédia começou quando um nobre comerciante chamado Mocenigo convidou Bruno para ensinar-lhe a mnemotécnica - a arte de desenvolver a memória - e hospedou-o em sua mansão. Moncenigo queria desenvolver um tipo especial de esperteza para “passar a perna” em seus concorrentes. Bruno “trancou a cara” e negou-se a ensinar-lhe qualquer coisa. Mocenigo, sorrateiramente, enquanto seu hóspede dormia, saiu e convocou os agentes da Inquisição para prendê-lo sob a acusação de feitiçaria e heresia. Isso foi no dia 26 de maio de 1592.

Roberto Bellarmino foi o homem encarregado pelo papa Clemente VIII para analisar e acompanhar o processo de Giordano Bruno. Até hoje não se conhecem detalhes do processo. Alguém desapareceu com todos os documentos. Mas é certo que São Bellarmino “descobriu” as seguintes heresias nas obras de Giordano:
“Giordano Bruno de Nola nega a transubstanciação do pão em Corpo de Jesus; Giordano Bruno diz que Deus Pai é superior ao Filho Jesus; Giordano ensina a pluralidade dos mundos o que implica também em várias encarnações de Cristo; Ensina que a alma está presente no corpo como um piloto na condução do navio. Mas, o pior dos pecados: Giordano lê Platão e as obras atribuídas a Hermes Trismegistos das quais conclui os seguintes erros: o conceito naturalista de unidade do universo material; acredita que a terra e os homens são oriundos de uma única substância universal; deduz que o universo é um sistema em transformação e que nada está imóvel; coloca Deus como causa primeira, perfeição absoluta e transcendente, existindo separadamente de suas criaturas. Afirma que Deus é um ser inefável que reflete em si a totalidade do Universo; que, por isso mesmo, somos incapazes de penetrar-lhe os segredos. Ensina que a verdadeira religião consiste em liberdade de conhecimento.”

Houve insistentes rumores de que Giordano Bruno aprendera essas coisas com os alumbrados da Espanha, tipo de iluminados (Illuminati) do final do Século XV. A filha de um trabalhador de Salamanca - “Beata de Piedrahita” - teria sido Grande Mestre dos alumbrados e afirmava ser capaz de manter contatos espirituais com Jesus e a Virgem Maria.

Tudo isso concorreu para a desgraça de um dos maiores gênios da humanidade. Preso, aguardando a execução, Bruno não parava de gritar suas teorias para que todos os transeuntes e outros presos ouvissem as verdades que descobrira. Impaciente, o Inquisidor mandou arrancar-lhe a língua com uma tenaz e pregar uma tábua com pregos em sua boca, “para que ele parasse de blasfemar e se arrependesse em silêncio".

As principais obras de Giordano Bruno são: "Il Candelaio", "De la causa, principio e uno", "Cena de le Ceneri", "Gli eroici furori", "De l’infinito universo e mondi".

Leitura recomendada: "Giordano Bruno e a Tradição Hermética" de Frances A.Yates, professora de História da Renascença na Universidade de Londres - 1964 (Edição em português pela CULTRIX).

FILME: "Giordano Bruno" dirigido por Giuliano Montaldo (1973) - drama biográfico com trilha sonora de Ennio Morricone e fotografia de Vittorio Storaro. (continua)


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