Controle de pragas: novas tendências

Décio Luiz Gazzoni
O autor é Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja.
Homepage: www.gazzoni.pop.com.br



Estamos retornando de Nashville (EUA), onde participamos da Reunião Anual da Sociedade Americana de Entomologia, a confraria dos cientistas que se dedicam a estudar os insetos e suas implicações na agropecuária, mas também na saúde pública, no meio urbano, os insetos úteis como as abelhas e o bicho da seda, entre outros ramos. Como tudo naquele país, a Sociedade é enorme: são cerca de 10.000 cientistas associados, dos quais um quarto participou da reunião anual. Para estar à altura da sociedade, o Hotel Opryland, onde realizou-se a convenção possui 3200 apartamentos (o maior hotel do Paraná dispõe de 400 apartamentos). Só de jardins internos (cobertos, em regime de estufa) são quase 4 hectares, o que representa uma boa renda para quem fornece todas as plantas e flores ao hotel, trocadas diariamente.


Biotecnologia
Está aí a palavra chave, que vem se consolidando de uns anos para cá. No caso do controle de insetos, as tendências para o próximo milênio passam necessariamente pelas provetas onde impera a biologia celular e a engenharia genética. A manipulação do código da vida, que está permitindo romper barreiras na criação de animais e na produção agrícola, também está trazendo sua contribuição para eliminar as restrições à expressão do potencial genético das culturas.

Vírus, bactérias e fungos
Uma parcela razoável dos investimentos governamentais e privados dirige-se para a descoberta, a identificação, a seleção e o "engenheiramento" de microorganismos que possam ser utilizados para o controle de pragas agrícolas. É a forma de controle biológico que vai predominar no próximo milênio, e provavelmente na ordem do título: vírus, bactérias e fungos. Os fungos ainda sofrem algumas restrições de ordem ambiental, como sua dependência de uma faixa específica de temperatura e umidade. No entanto, os três grupos apresentam características comuns muito importantes: são específicos para uma ou poucas espécies de insetos, são fáceis de produzir em escala comercial, são fáceis de estocar e aplicar, e seu preço final tem sido compatível com as exigências de uma agricultura competitiva. O uso de predadores e parasitóides tem sido alvo de questionamento dos cientistas, que estão avaliando o seu impacto ecológico, em especial pela sua menor especificidade.

Variedades resistentes
Esta área está ganhando enorme impulso, movida por portentosos investimentos privados. Já se pode encontrar milho ou algodão resistentes a diversos insetos, em especial pela introdução do gene que codifica para a toxina da bactéria Bacillus thuringiensis. Porém, os cientistas estão buscando entender os mecanismos de resistência, e manipulando o código genético das plantas, transferindo genes entre espécies vegetais, para resistência a determinados insetos. As novas variedades e os microorganismos devem conter a demanda por inseticidas químicos no próximo milênio.

Inseticidas químicos
Saem de cena aqueles venenos velhos conhecidos, que matavam tudo, de insetos a bois ou homens. A ordem agora é segurança e especificidade. As novas moléculas somente são comercializadas se demonstrada sua segurança aos demais seres vivos. Além de atender aqueles mesmos requisitos de se tratou acima para os micro-organismos.