Agronegócio: O ajuste de preços
no mercado globalizado


Décio Luiz Gazzoni
O autor é Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja.
Homepage: www.gazzoni.pop.com.br



Queremos demonstrar que o produtor ou a organização de produtores que almeje preço competitivo deverá buscar um elevado status tecnológico e sanitário, complementado com capacitação em administração rural, para que as culturas e os rebanhos possam expressar sua máxima potencialidade genética, em decorrência atinjam a máxima eficiência econômica. Implementar medidas positivas para incrementar o comércio internacional. Este é o artigo primeiro da Convenção de criação da Organização Mundial do Comércio (OMC). Medidas positivas devem ser mensuráveis, por isso as barreiras fiscais e para-arancelárias estão sendo gradativamente reduzidas ou desativadas. Assim, vislumbra-se um incremento jamais experimentado anteriormente nas trocas comerciais. Prenuncia-se para os próximos anos uma ampliação das oportunidades comerciais, mas a competição pelos nichos de mercado mais disputados, ou seja, o dos países mais ricos, de maior renda e maior capacidade de consumo, deve tornar-se cada vez mais intensa.

A base da competitividade
Neste contexto, é importante circunscrever os principais fatores que conferirão competitividade a determinados países ou regiões, ao tempo em que confinarão à marginalidade do mercado aqueles que não se enquadrarem. Alguns destes requisitos são tão antigos quanto o próprio mercado, apenas assumindo novas feições ou proporções no novo ambiente, enquanto outros passam a assumir maior importância nos cenários que são traçados.

Preço adequado
O preço sempre representou um diferencial competitivo nas relações comerciais. Na perspectiva de globalização de mercados, que extingue os conceitos de mercado interno e externo, Em um ambiente competitivo, projetando-se o infinito, a tendência é de permanente ajuste de preços em direção ao piso. O limite de deságio ou redução progressiva de preços é o custo de produção e a combinação produtividade/custo da unidade. Imaginando-se o futuro próximo como um ambiente de livre e alta competição, cria-se a dualidade entre apropriação de renda (expansão do lucro) buscada pelos atores do mercado, e a transferência de benefícios aos consumidores (redução de preços). A dinâmica do mercado será a responsável pelo equilíbrio entre estas tendências. O preço reduz-se até atingir o piso representado pelo custo de produção de uma parcela expressiva de produtores. A estes restam duas opções: ou reduzem seus custos ou são alijados do mercado. O novo ponto de equilíbrio é representado pelo patamar de custos ajustado, reiniciando-se o processo.

Reduzir o custo de produção
Cabe então analisar os dois aspectos envolvidos: Em relação ao custo de produção, a formação de preços é um processo complexo, condicionado por externalidades nem sempre ligadas diretamente ao produto ou à sua cadeia produtiva. Porém, os custos fixos e variáveis de produção podem ser administrados, dentro de determinados limites, pelo produtor ou por organizações de produtores. É fundamental o gerenciamento dos fatores de produção, em especial dos insumos técnicos, da mão de obra e dos recursos financeiros, como forma de racionalização de custos. Lançamos o alerta de que, atualmente, o insumo mais raro no ambiente agropecuário é o preparo gerencial dos produtores ou seus administradores. Paralelamente, a adequação tecnológica e o elevado status sanitário das culturas e dos rebanhos é condição fundamental para conferir competitividade.

Aumentar a produtividade
De outra parte, a relação produtividade/custo unitário é uma das pilastras de preços competitivos. Deve-se atentar que, para cada cultura ou animal existe um determinado potencial genético de produtividade, que apenas se expressa em sua totalidade, se não existirem condicionalidades para a sua expressão. Entre estas restrições estão o clima, o solo (aspecto químico, físico e biológico) e a condição sanitária. Onde estão as oportunidades? Na expansão da potencialidade genética e na redução das restrições à sua expressão. O elevado patamar tecnológico (e sanitário) será o responsável pela geração da condição de competitividade. Porém, apenas o uso adequado de tecnologia, sob rigoroso controle técnico, permitirá que as tecnologias apresentem a sua máxima eficiência econômica na exploração agropecuária.