As uvas da Maçonaria



MAÇONARIA, MAIS VIVA DO QUE NUNCA!

Todos conhecem aquela fábula da raposa morta de fome que viu uns cachos de uvas maduras pendurados nas hastes de uma videira. A raposa usou todos os recursos para pegá-las, mas como estavam fora do seu alcance, acabou desistindo. Deu meia volta e, consolando a si mesma, resmungava:

- Metade dessas uvas está estragada e as outras estão verdes... essa videira está morrendo !

Chegamos, com isso, à triste certeza de que o maior inimigo da raposa foi a própria raposa.

Esopo, autor grego, escreveu essa história 600 anos a.C. para os indolentes que, por vaidade, não reconhecem suas limitações.

Lembrei-me dessa fábula quando tomei conhecimento de algumas opiniões de que “a Maçonaria está morrendo”.

Antes de levantarmos esse diagnóstico macabro, precisamos entender MAÇONARIA sob três aspectos: 1) o aspecto léxico, no qual a maçonaria é uma “sociedade parcialmente secreta, cujo objetivo principal é desenvolver o princípio da fraternidade e da filantropia”, assim está no Dicionário Aurélio; 2) no sentido doutrinário, Maçonaria é uma associação de caráter educacional que objetiva tornar feliz a humanidade, cultivando os sentimentos do bem, promovendo o aprimoramento das atitudes e valores sociais pela pratica da tolerância e da equidade; 3) no aspecto filosófico, a Maçonaria é uma Ordem Tradicional e Iniciática sustentada por um Sistema de Moral.

Sob nenhum desses três aspectos pode-se dizer que a Maçonaria esteja morrendo.

Como sociedade filantrópica, sua atuação é incomensurável no mundo inteiro. Não há necessidade de se apregoar o bem que vem sendo feito, pois “a mão esquerda não deve saber o que faz a direita”.

O lado fraternal de nossa Ordem pode sofrer “altos e baixos” como acontece em qualquer instituição ou organização social, religiosa, familiar, de trabalho, governamental, etc. Só estaríamos imunes às crises da convivência se fôssemos seres alados dos Coros Angélicos, Serafins ou Querubins. (Mesmo assim, os teólogos garantem que, no início dos tempos, Lúcifer vivia entre os Anjos, mas acabou envolvido numa disputa, causando discórdias e indisciplina, espalhando o pessimismo. Fábulas, lendas e símbolos falam por si mesmos!). Ora, somos humanos, mortais e falíveis; estamos na Maçonaria para polir nossa personalidade e, não raro, os golpes na pedra bruta são enérgicos e deixam voar lascas.

No sentido doutrinário a Maçonaria está mais viva do que nunca. Hoje, no Brasil e no mundo, são escritos e publicados centenas de livros sobre a Ordem. Teorias recentes apontam para novas descobertas e perspectivas; a história dos Maçons é pesquisada por conceituados professores e doutores em muitas Universidades. Estão sendo criadas Lojas de Pesquisas em várias jurisdições com o apoio de suas Potências. As Academias Maçônicas de Letras aí estão dando prova da competência e inteligência dos maçons. A internet se ocupa de nós - até demasiadamente - e muitos filmes sobre Maçonaria estão sendo produzidos pela BBC, History Channel, National Geographic e outras.

Quanto ao aspecto filosófico, mesmo se um dia faltar a Maçonaria com esse nome, ela não estará morta, pois todo empreendimento que visa a melhoria do homem é uma forma de maçonaria. O lado material da vida nunca prescindirá dos princípios de fraternidade e filantropia que tornem mais feliz a humanidade. A alma humana precisa caminhar no sentido do bem, aprimorando-se nos valores sociais. E o espírito jamais poderá evoluir sem o processo iniciático. Assim, somos como a Fênix, renascendo sempre das próprias cinzas.

Só os que não estudam esses mistérios precisam de uma bandeira emprestada ou algo palpável que justifique suas idas semanais às reuniões. A Maçonaria está viva apesar dos que se contentam apenas com o lado efêmero dos ágapes, do “tapinha nas costas” e da humilhante busca do clientelismo. Esses velhos hábitos é que estão morrendo. Agonizam na eterna mesmice de suas Lojas esperando “que o Venerável faça alguma coisa”; deles ouve-se o estertor moribundo pelos corredores esperando e cobrando uma “boa ideia” vinda do Grão-Mestrado ou da administração. Morrem lentamente intoxicados pelo veneno do erro que procuram em tudo. Deixaram escoar uma vida de boas aventuras, de saúde, sabedoria e segurança existentes na doçura daquelas uvas difíceis de alcançar. Mas, deram meia volta; desistiram como fez aquela raposa diante do inacessível.

A Maçonaria está mais viva do que nunca! O que está havendo é um RENASCIMENTO dos objetivos da Arte Real. Preparem-se, há uma nova geração de Maçons voltados para esse Alvorecer. Podem não constituir uma quantidade mas, sem dúvida, são uma qualidade.

José Maurício Guimarães
V.'.M.'. da "Loja Maçônica de Pesquisas Quatuor Coronati - Pedro Campos de Miranda"
.............