GRUPO OTIMISMO DE APOIO A PORTADORES DE HEPATITE C
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22 - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 9973.6832 - Fax. (21) 2549.8809
e-mail: hepato@hepato.com - Internet: www.hepato.com


 
Importantes avanços na "Carta Aberta" - Hepatites

99% da sociedade civil se encontra desiludida com as ações nas hepatites B e C. Cansados das "boas intenções" exigem resultados concretos por parte do Programa Nacional de Hepatites Virais. Dar como desculpa falta de verbas é triste notícia, e mais triste ainda, quando se imagina que dificilmente o governo federal não soubesse disso quando anunciou, com fanfarras, o nascimento de um programa condenado, ainda no berço, a morrer de inanição.

Durante o fracassado encontro das ONGs de hepatites organizado pelo Ministério da Saúde em Brasília nesta semana, 35 dos 36 coordenadores destes grupos elaboraram o Oficio abaixo, cobrando uma resposta a Carta Aberta que esta sendo enviada diariamente aos responsáveis pela saúde federal.

Já foram enviados mais de 2.500 e-mails e nem sequer uma simples resposta foi dada. Nem pelo ministro da saúde nem pelo presidente da republica. Mas é necessário continuar enviando, quantas vezes for necessário. Modificamos alguns endereços para termos um maior alcance, assim, por favor, entre novamente na nossa página www.hepato.com e envie a Carta Aberta novamente.

A Chefa de Gabinete do Ministro, Dra. Lourdes Lemos Almeida nos recebeu pessoalmente de forma amável e gentil protocolando o recebimento deste Oficio e da Moção de Repudio e se comprometendo a entregar em mãos ao ministro da saúde. Depois entregamos o Oficio ao presidente da Câmara Federal, Deputado Aldo Rebelo onde provavelmente será marcada uma audiência na Câmara, cobrando explicações. Copias estão sendo protocoladas na Presidência da Republica e no Ministério Público Federal.

Se você conhece algum Deputado ou Senador, envie este e-mail, na integra. Vamos continuar cobrando! Somente com persistência e que os ouvidos dos gestores e políticos ficam sensíveis.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo de Apoio a Portadores de Hepatite C




Brasília, 22 de dezembro de 2005

AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO DA SAÚDE DO BRASIL
Dr. JOSÉ SARAIVA FELIPE

CC/ AO EXMO. SENHOR PRESIDENTE DA REPUBLICA
Sr. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA,
AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL,
AOS INTEGRANTES DO CONGRESSO NACIONAL


O Movimento da Sociedade Civil Organizada, que representa os portadores de hepatites virais, comunica a V. Sas. a total decepção com as ações preventivas de detecção e tratamento das mesmas, acontecidas nos últimos cinco anos.

Solicitamos vosso pronunciamento público, explicando ao povo brasileiro, em especial aos seis milhões de infectados com as hepatites B e C, o porque desse desinteresse em ações de saúde pública. Pedimos ainda esclarecimentos sobre ações governamentais pertinentes que serão tomadas no exercício de 2006 e se as mesmas serão prioridade de governo.

Anexamos ao presente oficio, Carta Aberta endereçada a imprensa, onde constam nossos questionamentos.

Solicitamos, também, o agendamento de uma audiência com V.Sa., para receber uma representação do nosso movimento.

Assinam o presente Oficio, as seguintes ONG's em ordem alfabética, por estado:

1) AL - Maceió - Grupo Solidário - Regina Tartuce

2) BA - Salvador - Grupo Vontade de Viver - Hilson Cordeiro

3) CE - Fortaleza - Grupo ABC VIDA - Agrimeire Leite

4) DF - Brasília - Grupo C - Epaminondas Campos

5) ES - Vitória - Vitória pela Vida - Eliana Cardoso Doyle Maia

6) MA - São Luis - Grupo UMA-C - Ellen Neiva

7) MS - Campo Grande - Grupo Solidários - Álvaro Eduardo

8) PA - Belém - APAF - Benedito Ferreira de Almeida

9) PE - Recife - NAPHE - p/p- Luciana Pereira

10) RJ - Petrópolis - Grupo HepatoCerto - p/p- Marcelo Abreu

11) RJ - Niterói - Grupo Gênesis - Osmar Meireles

12) RJ - Rio de Janeiro - Grupo Otimismo - Carlos Varaldo

13) RS - Bagé - GAPH Bagé - Vera Caetano

14) RS - Passo Fundo - VIVA MELHOR - Sergio Barbosa

15) RS - Pelotas - ADOTE - Alice Maria Costa Maia

16) RS - Porto Alegre - APOHC - Heloísa Castilhos

17) RS - Porto Alegre - Astraf - Jorge Kramer Borge

18) RS - Porto Alegre - Força e Vida - Arnaldo Beck

19) RS - Porto Alegre - HepatCheVida - Nadia Elizabeth C. Barbosa

20) RS - Tramandaí - Hepatochê - Flávio Freitas de Oliveira

21) SC - Chapecó - Grupo Desbravador - Sandro Vivian

22) SC - Florianópolis - Grupo Hercules - Anna Maria Schmitt

23) SC - Joinville - SALVHE C - Cleusa Regina Moraes

24) SC - Lages - Grupo leão da Serra - Galdêncio Andrade Neto

25) SP - Americana - Grupo Americana - Donizete Campos

26) SP - Araçatuba - ARAÇVIDA - Faustina Amorim da Silva

27) SP - Barretos - Vontade de Viver - Érico Leite Martins

28) SP - Campinas - APOHIE - p/p- Sergio Luiz Bergantin

29) SP - Limeira - Revendo a Vida - Marlene Marchiori

30) SP - Ribeirão Preto - Coração Valente - Rosycler Coutinho

31) SP - Rio Claro - HEPA-C - Nana Freitas

32) SP - Santos - Grupo esperança - Jeová Pessim Fragoso

33) SP - São Paulo - HCVIDA - Regina Lancellotti

34) SP - São Manuel - C Tem que Saber C Tem que Curar - Francisco Martucci

35) SP - São Paulo - Unidos Venceremos - Micheline Woolf



** CARTA ABERTA AO MINISTRO DA SAÚDE - 120 DIAS DE SILÊNCIO **

Hepatites: o maior problema de saúde pública do BRASIL atual -



Exm° Dr. José Saraiva Felipe
Ministro da Saúde do Brasil



No dia 8 de novembro foram completados 120 dias da sua gestão e os seis milhões de infectados pelas hepatites B e C continuam abandonados, aguardando seu posicionamento sobre o maior problema de saúde publica deste nosso Brasil. Nos últimos quinze anos a palavra hepatite C foi censurada pelo governo federal e a cada novo ministro renasce a esperança de que as coisas possam mudar em relação ao grave problema das hepatites, que seja enfrentado pelas novas administrações, porém, passados 120 dias da sua gestão, as esperanças da população infectada começam a diminuir.

Dos mais de quatro milhões de infectados pela hepatite C, aproximadamente oito mil se encontram em tratamento no SUS. Na hepatite B, dos dois milhões de infectados, menos de dois mil estão em tratamento. Os números de pacientes em tratamento, por si mesmos, demonstram que nos últimos três anos nada se avançou no tratamento destas doenças. Como resultado, a lista de espera por um transplante de fígado não para de crescer... A quantidade de infectados que atualmente recebe tratamento é irrisória. Continuando com a atual política de tratamento das hepatites, serão necessários quinhentos anos para atender os atuais doentes...

Existe um Programa Nacional de Hepatites Virais - PNHV, praticamente sem orçamento, destinando três centavos por habitante para seu desempenho anual. Com este pequeno orçamento poucas realizações puderam ser feitas, além de alguns impressos e rápidas capacitações de profissionais, sem resultados concretos. Fica a pergunta: Por que a atual administração do ministério da saúde quer insistir na política de inanição das administrações anteriores?

Foram capacitados 250 Centros de Testes e Acompanhamento - CTA, para fazerem testes de detecção das hepatites B e C e foi realizada uma campanha publicitária..., mas quando a população procurou os CTAs, descobriu que somente setenta estão realizando os testes. A população foi enganada e judiada, com uma propaganda falsa e com o desperdício de uma capacitação sem resultados. Fica a pergunta: Por que realizar campanhas que não refletem a verdade?

Os atuais serviços de referência se encontram lotados e muitos não aceitam novos pacientes. O PNHV informa que realizou centenas de capacitações para médicos. Nossa ONG solicitou a lista dos locais onde estes profissionais se encontram lotados, com o intuito de encaminhar os portadores, mas não recebemos respostas. Ficam então as perguntas: As chamadas "capacitações", que se limitam a dois dias de treinamento, capacitam realmente um profissional da saúde para tratar as hepatites B e C? Onde estão trabalhando estes médicos? O interesse é mostrar "capacitações" em vez de resultados concretos que aumentem a capacidade de atendimento?

Em novembro de 2004, relatório do TCU e da Controladoria Geral da União denunciaram um desvio de duzentos e trinta e hum milhões de Reais, acontecido com o pagamento aos estados do medicamento Interferon Peguilado. Porém, até o mês de julho de 2005 o PNHV ainda mostrava o número superfaturado, como um triunfo do ministério, enganando a população, mostrando que existiam recursos em abundância dedicados à hepatite C. Até o Senhor, mal assessorado pelos seus subordinados, foi levado ao erro quando discursou no Congresso Internacional da AIDS, informando que este medicamento consumia 20% da verba dos medicamentos excepcionais. Ficam as perguntas: Até hoje os seus subordinados colocam a culpa no "computador", ninguém foi punido por não ter comparado o numero de ampolas pagas a cada estado, com o numero de tratados? O que fazia então o PNHV nas permanentes viagens aos estados?

Os dados de prevalência, notificação dos doentes, tratamento ou mortes ocorridas por causa das hepatites, são totalmente falhos, errados, sem nenhuma base ou comprovação. Tentam censurar o problema, escondendo-o da opinião pública. Um inquérito domiciliar de prevalência das hepatites A, B e C, se encontra em execução, porém, após os dados preliminares, os recursos começaram a minguar. Perguntamos: Por que esta "parada"? Há medo de se confirmarem os dados estimados pela Organização Mundial da Saúde, muito superior aos estimados pelo governo?

Organizações não governamentais, que questionam a falta de ações e de informações da coordenação do PNHV, já foram chamadas de "paranóicas" em e-mail oficial do ministério. Solicitada uma retratação, ninguém do ministério, nem sequer vosso gabinete, pronunciou-se. Fica a pergunta: O povo pode ser tratado sem o devido respeito que o cargo impõe? Ou se trata de uma política ministerial?

Assim, Senhor Ministro, passados 120 dias de sua administração chegou à hora de dar respostas a nossa sofrida população e, para auxiliá-lo a desarmar a “bomba viral” que se encontra no seu colo, com o pavio acesso, passamos então a fornecer alguns dados sobre os problemas das hepatites B e C no Brasil.

Assim, Senhor Ministro, passados 120 dias de sua administração, chegou a hora de dar respostas a nossa sofrida população e, para auxiliá-lo a desarmar a " bomba viral" que se encontra no seu colo, com o pavio aceso, passamos então a fornecer alguns dados sobre os problemas das hepatites B e C no Brasil:

Saiba, Senhor Ministro que seis milhões de brasileiros estão doentes, sendo que mais de 95% destes nem sequer têm conhecimento... Eles estão infectados de forma crônica, pelas hepatites B e C, um número alarmante, já que representa um universo dez vezes superior aos infectados pela epidemia de AIDS

As hepatites B e C são consideradas "um assassino silencioso", por se tratar de doenças que não apresentam sintomas, e que não são diagnosticadas por um simples exame de sangue. Se nada for feito, de imediato, o Brasil estará presenciando o maior genocídio da nossa história !!! É estimado que nos próximos 10 ou 15 anos, mais de um milhão de infectados desenvolverão cirrose, sendo que mais da metade morrerá por culpa das complicações que a mesma ocasiona. Um quarto dos infectados desenvolve cirrose ou câncer no fígado, após 23 anos do contágio.

Poucas ações, muito tímidas, insuficientes e na maioria das vezes, totalmente erradas, estão sendo realizadas pelo Ministério da Saúde para enfrentar este grave problema de saúde pública. Existe um Programa Nacional de Hepatites, com um orçamento de três centavos por brasileiro, totalizando 5,7 milhões para todo o ano de 2005 e, as poucas ações realizadas, focalizam na sua maioria o programa da AIDS. O programa é coordenado por funcionários oriundos do programa da AIDS, sendo um simples "apêndice" do mesmo.

Campanhas de detecção são, sem dúvida, a melhor forma de prevenção, pois é necessário se identificar os já infectados, para evitar a disseminação involuntária da doença. A detecção precoce evita a progressão dos danos ao fígado. Campanhas de prevenção sem saber onde estão os focos da doença são infrutíferas. O conhecimento precoce da infecção, e conseqüentemente o acesso à informação, faz com que o doente modifique o seu estilo de vida, com decisões que conseguem reduzir a progressão da doença, bem como não transmiti-la a outras pessoas.

As hepatites B e C atingem o Brasil de forma epidêmica, porém, é muito difícil a realização do teste para sua detecção. A maioria dos casos detectados, nem sequer é notificado, devido à complexidade no preenchimento do longo formulário, provavelmente assim idealizado para se evitar a notificação... A Saúde Pública é estruturada para atender a demanda; com a sub notificação, a demanda não aparece nas estatísticas oficiais, não sendo então necessário qualquer tipo de ação governamental !!!

O governo é omisso no caso das hepatites. De cada cem indivíduos que receberam sangue antes de 1993, vinte estão infectados pela hepatite C. O governo tem os prontuários destas pessoas, mas não são chamadas para realizar o teste de detecção. Descoberta em 1989, a hepatite C ainda é desconhecida por profissionais da saúde, pois o governo não realiza campanhas de divulgação sobre a gravidade e as conseqüências dessa epidemia.

Se detectada precocemente, os medicamentos atualmente disponíveis conseguem curar entre 40 e 80% dos infectados pela hepatite C, e quase a metade dos infectados pela hepatite B. A detecção precoce poderá salvar da morte por falência hepática, mais de seiscentas mil pessoas nos próximos 15 anos.

Assim, é necessário aumentar a consciência pública, mediante a divulgação de informações sobre estas doenças, além de realizarem-se, prioritariamente, campanhas de detecção, e se aumentar a capacidade de atendimento em centros de referência, especializados no seu tratamento.

Senhor Ministro, solicitamos um pronunciamento público de vossa parte, com a máxima urgência, com o fim de sabermos se existem esperanças para estes seis milhões de brasileiros, na gestão da atual administração, pronunciamento este que mostre planos efetivos para o enfrentamento do maior problema de saúde pública existente no Brasil. Não esqueça, Senhor Ministro: o número de infectados pelas hepatites é dez vezes superior ao número de infectados pela AIDS, mas os recursos dispensados são vinte vezes inferiores.

O Brasil continua errando no grave problema das hepatites e, caso não tome medidas urgentes, mais de UM MILHÃO de pessoas poderão morrer prematuramente.


"Não saber é ruim, não querer saber é pior, mas não
se preocupar com as conseqüências dessa omissão é imperdoável"