ALIANÇA POR UM MUNDO SEM TABACO

Boletim 12 de agosto de 2005.

446.544 crianças se tornarão fumantes regulares em 2005. Fonte: http://www.tobaccofreekids.org/

O Brasil tem 86 dias para ratificar a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco


EM FOCO

ACONVENÇÃO-QUADRO PARA O CONTROLE DO TABACO
JÁ ESTAMOS MUITO ATRASADOS!!!

 

Tânia Maria CavalcanteSecretária
Executiva da Comissão Nacional para
Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco


Só temos 86 dias para ratificar a Convenção-Quadro em tempo de ainda estarmos na 1ª Conferência das Partes (COP). A COP é uma entidade formada pelos países que já ratificaram esse tratado internacional e cuja 1ª sessão acontecerá em fevereiro de 2006. Será uma reunião decisiva, uma espécie de divisor de águas entre uma Convenção forte ou uma Convenção para inglês ver. Nela serão definidas as regras do funcionamento da COP, a estrutura de sua secretaria, seu financiamento, regras de participação da sociedade civil organizada, dentre outras matérias que caracterizarão o perfil da implementação da Convenção no mundo.

O Brasil está bastante atrasado. Apesar de termos presidido todo o processo de negociação da Convenção e de termos sido o 2º país a assiná-la, perdemos a oportunidade de entrar para a história como integrante do grupo dos 40 primeiros países que ratificaram esse importantíssimo tratado de saúde pública. Recordando, 40 ratificações era o número mínimo necessário para que a Convenção entrasse em vigor. E isso aconteceu em fevereiro de 2005.

Conheça mais sobre a Convenção-Quadro:
http://www.inca.gov.br/tabagismo/frameset.asp?item=cquadro&link=framework.htm


A POLÊMICA DA RATIFICAÇÃO DA CONVENÇÃO-QUADRO PELO BRASIL

- No Brasil, a tramitação da Convenção no Congresso Nacional teve início em agosto de 2003 e em maio de 2004 seu texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados e logo encaminhado ao Senado Federal.

- A partir de então, alguns setores da indústria do tabaco no Brasil iniciaram uma intensa campanha contra a ratificação do tratado, disseminando inverdades sobre as implicações da adesão do Brasil, para criar um clima de hostilidade e terror entre os fumicultores e ao mesmo tempo retardar e confundir o julgamento da matéria pelo Senado.

- Essa situação levou o Senado a realizar duas audiências públicas em 2004, uma em Brasília e outra em Santa Cruz do Sul - município do Rio Grande do Sul conhecido como a capital mundial do fumo. Em 08 de dezembro de 2004 a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados também realizou uma outra audiência pública. Em todas essas ocasiões os dois lados foram ouvidos de forma democrática.

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Nesses debates, a maioria dos argumentos do setor fumo foi derrubado. Como afirmar que a ratificação da Convenção pelo Brasil causará o caos econômico para os fumicultores, se 85% da produção brasileira de tabaco é exportada? Logo, o que poderia influenciar esse cenário é a dinâmica de mercado internacional, que por sua vez independe da ratificação da Convenção pelo Brasil.

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Esses debates também deixaram claro que independentemente da ratificação pelo Brasil, o mundo já está se preparando para reduzir o consumo de tabaco e que o objetivo da Convenção deverá ser atingido. E que embora as previsões sejam para o longo prazo, o Brasil, enquanto um grande produtor e exportador de fumo, precisa começar se preparar desde já para lidar com essa futura retração no comércio internacional de fumo.

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Também ficou evidente que estar inserido na Convenção-Quadro significa que o Brasil poderá usufruir de apoio internacional, tanto técnico como financeiro, para fortalecimento de sua política agrícola de alternativas ao fumo.

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Além disso, outros dados surgiram: a Índia, terceiro maior produtor de fumo do mundo e que ratificou a Convenção em fevereiro de 2004, registrou um aumento nas suas exportações de fumo em 14% para safra 2004/2005, ao contrário do que vem sendo profetizado.

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Análises feitas na edição de maio de 2005 da Revista Tobacco Reporter (http://www.tobaccoreporter.com/backissues/May2005) deixam claro que as grandes transnacionais de tabaco já não avaliam o Brasil como um cenário tão atraente para investimentos para a produção de fumo. E em nenhum momento a matéria considera a ratificação da Convenção-Quadro pelo Brasil como um dos fatores determinantes desse cenário. Vale salientar que essa revista tradicionalmente faz análises de perspectivas de mercado para as grandes transnacionais de tabaco que ditam as regras da produção agrícola de fumo no mundo.

- Mesmo assim, a polêmica continua como resultado da intensiva atuação de representantes da indústria do fumo no Senado, que conseguiram adiar a votação do texto da Convenção, que possuía o caráter de urgência urgentíssima. Vale salientar que essa votação havia sido inicialmente programado para 29 de junho, através de um compromisso assumido pela presidência do Senado junto ao então Ministro da Saúde no Dia Mundial sem Tabaco, 31 de maio, quando este liderou uma caminhada ao Senado para entrega de 24 mil assinaturas de apoio à ratificação da Convenção.


Conheça mais sobre essa polêmica:
http://www.inca.gov.br/tabagismo/frameset.asp?item=cquadro&link=downloads.htm


PRÓXIMAS ETAPAS NO PROCESSO DE RATIFICAÇÃO DA CONVENÇÃO NO SENADO:

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado está organizando mais três audiências públicas - uma em Santa Catarina/Tubarão, uma segunda em Salvador e a outra em Brasília.

Acompanhe o processo de ratificação:
http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/Consulta.asp?RAD_TIP=PDS&SEL_TIP_MATE=ADF
&TXT_NUM=602&TXT_ANO=2004&Tipo_Cons=6&Flag=1


NOTÍCIAS BRASIL
 

Tratamento começa na hora
Fonte: Jornal de Brasília
Data: 12/08/2005


A campanha Pare de fumar numa boa vai mostrar que, por meio de tratamento, é possível largar o cigarro. A partir de hoje, até o dia 20, quem passar pelo Conjunto Nacional, na plataforma superior da Rodoviária, vai poder conhecer de perto os males da nicotina no organismo e começar ali mesmo o tratamento para largar o vício. O evento marca o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto).

Segundo Carlos Alberto Viegas, chefe do Serviço de Pneumologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB), duas tendas vão simular dois ambientes, uma casa de fumante e outra de não fumante. "As pessoas vão ver os efeitos da nicotina no ambiente e no organismo", diz.

No local, haverá um medidor de monóxido de carbono para as pessoas medirem o quanto estão contaminadas pela droga. Por meio de um questionário rápido, é possível também medir seu grau de dependência.

Depois do susto, os fumantes que querem parar vão poder começar a terapia ali mesmo. "O tratamento para largar o cigarro consiste em terapia comportamental, terapia de reposição de nicotina e remédios antidepressivos", explica Viegas. Médicos estarão no local para esclarecer dúvidas e ajudar na decisão de parar de fumar.


Cigarro na gravidez
Fonte: Diário de São Paulo
Data: 09/08/2005


Joel Rennó Júnior
Se já não bastassem todos os malefícios físicos e psicológicos trazidos ao recém-nascido e à criança no seu desenvolvimento, temos, hoje, o conhecimento, por meio de vários estudos científicos metodologicamente corretos, que a exposição pré-natal do feto ao tabagismo materno durante a gravidez está associada a uma maior chance de distúrbios de comportamento e do Transtorno da Hiperatividade com Déficit Atencional (doença iniciada na infância que tem como principais características a impulsividade, agressividade, falta de atenção e concentração e hiperatividade) na adolescência, principalmente em meninos.


Prevenção e Controle
Fonte: O Diário de Maringá - Paraná
Data: 06/08/2005


Será realizado, no dia 27 deste mês, no Teatro Calil Haddad, às 13h30, o 1º Seminário sobre Prevenção e Controle do Tabagismo em Maringá. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site www.maratonademaringa.uem.br



Meriti implanta programa de combate ao tabagismo
Fonte: Hora H - Rio de Janeiro
Data: 06/08/2005


No intuito de ajudar o cidadão no combate ao vício do cigarro, a Prefeitura de São João de Meriti inaugurou ontem, em duas unidades do Programa Saúde da Família (PSF), o Programa de Controle do Tabagismo e outros fatores de risco de câncer. A idéia, inspirada nos alcoólicos anônimos (A.A.), é fazer com que o fumante não acenda o primeiro cigarro e inale a fumaça, que contém 4.720 substâncias tóxicas. Para isso, a Secretaria de Saúde montou grupos de ajuda com enfermeiros e médicos para atender a população, com profissionais qualificados. Em outubro, mais seis unidades terão o programa. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o fumo é responsável por 90% das mortes de câncer de pulmão. Os números estão diretamente relacionadas às substâncias existentes nos cigarros: formol, naftalina, amônia, acetona, pólvora e cádmio (presente em pilhas). Com o propósito de conscientizar a população e iniciar um processo de reversão do quadro, o secretário de Saúde, João Ferreira Neto, representando o prefeito Uzias Mocotó, inaugurou o programa na Unidade da Família Jorge Tanus Rejane, em Jardim Metrópoles. Duzentas e sessenta pessoas já estão inscritas para o tratamento da doença. A princípio, os atendimentos acontecerão aos sábados. E em quatro encontros, os médicos e os enfermeiros assistirão as pessoas cadastradas no PSF, que desejam largar o vício do cigarro. Em cada sessão, com duração de uma hora, os dependentes serão orientados a não acender o primeiro cigarro, não associar o fumo com a comida ou bebida, como o café. Haverá também troca de experiências e orientação com relação à alimentação. Por ser uma droga lícita, o cigarro avançou muito ao longo dos anos. *** Tratamento superou o ganho Mas com a nova visão de combater a doença, houve uma mudança de linha. "O governo ganhava muito dinheiro com os impostos, por isso era interessante divulgar o cigarro. Só que os gastos com o tratamento foram superiores ao ganho. Hoje, vivemos outra realidade, que é a prevenção", destacou João Ferreira Neto. Em seguida, o secretário de saúde, a coordenadora do Programa Saúde da Família, Márcia Fernandes Lucas, a representante do Governo do Estado, Marli Pereira, e o coordenador do Programa de Saúde de São João, Antônio Maia, inauguraram o programa no Posto Tucão, em Vilar dos Teles, a segunda unidade do gênero.


Controle Mundial do Tabaco
Fonte: Jornal do CONASS – Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONSENSUS nº 12
Data: junho/2005


Há um ano, tratado internacional aguarda aprovação no Senado para ser ratificado pelo Brasil. Ministro da Saúde pede agilidade ao presidente do Senado, que promete empenho na votação.

No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, o ministro da Saúde, Humberto Costa, entregou ao presidente do Senado, Renan Calheiros, uma carta com 24 mil assinaturas, coletadas em diversos estados do país, requerendo a ratificação do primeiro tratado internacional de saúde pública – a Convenção-Quadro para o controle do tabaco. A carta dizia: “Solicito aos senadores que apóiem e participem ativamente da ratificação da Convenção-Quadro, reafirmando o compromisso de proteger e preservar a saúde da nossa sociedade, buscando garantir ao povo brasileiro o direito à qualidade de vida e ao país condições necessárias para avanços sociais e econômicos”.

Apesar de ter sido aprovada por unanimidade e em caráter de urgência na Câmara dos Deputados, em maio de 2004, a Convenção está há mais de um ano aguardando a decisão do Senado. O texto deixou de ser prioridade em setembro do ano passado, quando a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) divulgou informações sobre supostas implicações negativas da validação do tratado para a economia brasileira – o que resultou na pressão das indústrias e de representações de agricultores, obstruindo a ratificação do tratado no Senado Federal.

O ministro pediu a Calheiros que a medida seja ratifi cada e chamou de "lobby da morte" a ação das indústrias de tabaco pela não-aprovação da Convenção. O Ministério da Saúde entregou aos senadores cartilhas produzidas pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), que desmitifi cam a idéia de que a aprovação do tratado prejudicará os plantadores de fumo no Brasil - principal argumento da indústria do tabaco. Em resposta, Renan Calheiros disse que pretende dar caráter de urgência ao assunto: "Vou discutir o tema com líderes partidários e me empenhar na votação da matéria". No entanto, ele acredita que uma mobilização popular acerca do assunto seja fundamental para enfrentar o lobby feito pela indústria do tabaco. O Brasil se destacou nas transações e na elaboração do contrato internacional e foi indicado para ser seu principal negociador. O tratado foi proposto em 1999 pelos países-membros da Organização Mundial de Saúde (OMS), a fim de proteger a população mundial e suas futuras gerações das conseqüências sanitárias, sociais, ambientais e econômicas do consumo e da exposição à fumaça do tabaco.

Em novembro de 2004, a Convenção alcançou 40 ratificações necessárias para entrar em vigor, o que aconteceu em 27 de fevereiro deste ano. No início o mês de abril, 61 países haviam validado o tratado, entre eles: Alemanha, Austrália, Canadá, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Índia (3° maior produtor mundial de tabaco), Japão, México, Países Baixos, Peru, Quênia, Reino Unido, Turquia e Uruguai

Se quiser participar das negociações e buscar apoio para o desenvolvimento de alternativas economicamente viáveis e saudáveis para a cultura do fumo, o Brasil deverá validar o tratado e enviá-lo à ONU. A data-limite de recebimento das ratifi cações é 7 de novembro deste ano.

Aproximadamente cinco milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência dos males causados pelo fumo. No Brasil, o número de mortes chega a 200 mil. Segundo a OMS, se a atual tendência de expansão do consumo do tabaco for mantida, por volta do ano 2030, o número de mortes anuais será de 10 mil – metade delas em pessoas de 35 a 69 anos.


 

A Convenção-Quadro para o controle do tabaco objetiva preservar as gerações presentes e futuras das conseqüências sanitárias, sociais, ambientais e econômicas do consumo e da exposição à fumaça do tabaco. As principais medidas a serem adotadas são:

Redução da demanda por tabaco: aplicação de políticas tributárias e de preços; proteção contra a exposição à fumaça do tabaco em ambientes fechados; regulamentação dos conteúdos e das emissões dos produtos derivados do tabaco e a divulgação de informações relativas a estes produtos; desenvolvimento de programas de educação e conscientização sobre os malefícios do tabagismo; proibição de publicidade, promoção e patrocínio; e implementação de programas de tratamento da dependência de nicotina.

Redução da oferta de produtos do tabaco: eliminação do contrabando; e restrição ao apoio e aos subsídios relativos à produção e à manufatura do tabaco.

Proteção ao meio ambiente.
Responsabilidade civil
: inclusão das questões de responsabilidade civil e penal nas políticas de controle do tabaco, bem como estabelecimento das bases para a cooperação judicial nessa área.

Cooperação técnica, científica e intercâmbio de informações: elaboração de pesquisas nacionais relacionadas ao tabaco e seu impacto sobre a saúde pública; coordenação de programas de pesquisas regionais e internacionais; estabelecimento de programas de vigilância do tabaco; e cooperação nas áreas jurídica, científica e técnica.
Texto deixou de ser prioridade em setembro do ano passado, quando a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) divulgou informações sobre supostas implicações negativas da validação do tratado para a economia brasileira - o que resultou na pressão das indústrias e de representações de agricultores, obstruindo a ratificação do tratado no Senado Federal. O ministro pediu a Calheiros que a medida seja ratificada e chamou de "lobby da morte" a ação das indústrias de tabaco pela não-aprovação da Convenção. O Ministério da Saúde entregou aos senadores cartilhas produzidas pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), que desmitificam a idéia de que a aprovação do tratado prejudicará os plantadores de fumo no Brasil - principal argumento da indústria do tabaco. Em resposta, Renan Calheiros disse que pretende dar caráter de urgência ao assunto: "Vou discutir o tema com líderes partidários e me empenhar na votação da matéria". No entanto, ele acredita que uma mobilização popular acerca do assunto seja fundamental para enfrentar o lobby feito pela indústria do tabaco.

O Brasil se destacou nas transações e na elaboração do contrato internacional e foi indicado para ser seu principal negociador. O tratado foi proposto em 1999 pelos países-membros da Organização Mundial de Saúde (OMS), a fim de proteger a população mundial e suas futuras gerações das conseqüências sanitárias, sociais, ambientais e econômicas do consumo e da exposição à fumaça do tabaco.

Em novembro de 2004, a Convenção alcançou 40 ratificações necessárias para entrar em vigor, o que aconteceu em 27 de fevereiro deste ano. No início do mês de abril, 61 países haviam validado o tratado, entre eles: Alemanha, Austrália, Canadá, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Índia (3° maior produtor mundial de tabaco), Japão, México, Países Baixos, Peru, Quênia, Reino Unido, Turquia e Uruguai. Se quiser participar das negociações e buscar apoio para o desenvolvimento de alternativas economicamente viáveis e saudáveis para a cultura do fumo, o Brasil deverá validar o tratado e enviá-lo à ONU. A data-limite de recebimento das ratificações é 7 de novembro deste ano.

Aproximadamente cinco milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência dos males causados pelo fumo. No Brasil, o número de mortes chega a 200 mil. Segundo a OMS, se a atual tendência de expansão do consumo do tabaco for mantida, por volta do ano 2030, o número de mortes anuais será de 10 mil - metade delas em pessoas de 35 a 69 anos.

FONTE: INCA.

http://www.conass.org.br/admin/arquivos/Consensus%2012.pdf


NOTÍCIAS MUNDO
 

Kirchner quer proibir fumo em local público
Fonte: O Estado de São Paulo
Data: 10/08/2005

Ariel Palacios - Correspondente
BUENOS AIRES - O presidente Néstor Kirchner assinou projeto de lei, encaminhado ontem ao Congresso, proibindo fumar em lugares públicos, além de eliminar quase totalmente a publicidade de cigarros. O projeto de lei deve enfrentar dura resistência das províncias do norte da Argentina, onde estão os principais produtores de fumo.

A lei pretende proibir o fumo em locais de trabalho; fechados destinados ao acesso público em forma livre ou restrita, paga ou gratuita, e nos meios de transporte terrestres, aéreos e de navegação.

Infratores poderão ser multado em valor equivalente a mil maços da marca mais cara. No caso de reincidência, as multas serão maiores. A publicidade será proibida em via pública, em rádio, TV, jornais e revistas. Ficará restrita a cartazes em quiosques que vendam cigarros.

As estatísticas oficiais indicam que o país tem 8 milhões de fumantes. Segundo o Ministério da Saúde, 40 mil morrem anualmente por doenças causados pelo fumo. No sistema de saúde, o tratamento dessas doenças implica o gasto de US$ 1,48 bilhão por ano.


NA CONTA-MÃO DA SAÚDE
 

Um bitolado olhar para o cigarro (parte 1)
Fonte: Gazeta do Sul - Santa Cruz do Sul
Data: 12 de agosto de 2005

Opinião
Como profissional da área de saúde e professor universitário, senti-me na obrigação de abordar o tema do tabaco, sem o intuito de defender ou atacar o consumo do mesmo, mas expondo informações que permitem a cada leitor fazer seu julgamento de forma mais apurada. Na verdade, a presente abordagem visa observar de forma crítica a forte pressão que vem sofrendo a plantação e o consumo de fumo, sob a alegação de sua nocividade à saúde. O que se verifica nas advertências estampadas nas carteiras de cigarros por força da lei é uma simples hipocrisia da sociedade em geral e o cinismo de certos políticos e governantes criadores de razões irracionais, enquanto por trás de suas máscaras escondem vergonhosamente os verdadeiros interesses e especulações tendenciosas.


Não é simplesmente atacando o cultivo do tabaco, uma das fontes que mais enchem os cofres públicos, e da qual dependem milhares de trabalhadores, que o sistema levará realmente a sério a luta pela saúde da população. Se as justificativas se confirmam para tal pressão a ponto de serem banidas quaisquer propagandas em seu favor, como podemos aceitar que o consumo de bebidas alcoólicas, comprovadamente nefastas à saúde, possui ampla liberdade e apregoações por parte de pessoas destacadas na nossa sociedade? Certamente, esta é uma das explicações sobre o aumento do consumo do álcool entre os jovens. É mais do que sabido que o consumo do álcool conturba relações interpessoais, sendo o responsável por 30% das separações, neurotizando filhos, causando constrangimenos, etc.

Em grande parte, as cadeias estão cheias de criminosos devido ao consumo de certas drogas lícitas, como o álcool. Porém, as regras que cercam o fumo não fazem justiça para outras drogas que também nos prejudicam. O álcool é o responsável direto por 4% das enfermidades do Planeta e, somente no Brasil, atinge 10% da população nacional, sendo responsável por 78% das mortes ocorridas no trânsito e o responsável por 40% das consultas psiquiátricas. Por fim, o álcool sozinho equivale a todas as outras drogas somadas em conjunto. No entanto, a cínica mídia segue exaltando os momentos de felicidade que pode nos trazer “aquela bebidinha” e, enquanto isso, os inimigos do fumo assistem-na com aquelas caras que todos já devem conhecer muito bem.

Porém, a negligência não pára por aí. Não vejo radicalização em acreditar que uma legislação similar deveria estar valendo para a queima de combustíveis poluentes, que causam um verdadeiro desastre ambiental, emitindo diversas susbtâncias tóxicas (como monóxido e dióxido de carbono, metais pesados, enxofre, etc) e contaminam o ar que respiramos, causando-nos pneumopatias, alergias, hepatopatias, etc. Sem falar no efeito da chuva ácida (mistura de gases sulfurados à chuva normal), que contamina as vegetações e águas naturais dos nossos campos. É evidente que tais resíduos tóxicos vão parar em nossos organismos, através da alimentação. Imagine como nossa saúde é afetada, após anos e anos de exposição danosa a todos estes problemas. Em geral, o mal começa a transparecer em nossos corpos aos 40 anos de idade, quando o organismo já se encontra debilitado e no seu limiar tóxico geral de suportação (somatório de todos os “venenos”). O resultado é o aumento progressivo de cânceres, alergias, sinusites, osteopatias, pneumopatias, hepatopatias, conjuntivites químicas, envelhecimento precoce, demências, etc.

Também não vemos uma preocupação contra a “gordura trans”, o tipo de gordura estranha ao nosso organismo, que tem sérias dificuldades para eliminá-la, e se entranha nas paredes dos vasos sangüíneos, entupindo-os e levando ao infarto ou a derrames, bem como aumentando a indústria das pontes de safenas e dos “stentes”. Talvez, alguns estejam se perguntando como nunca ouviram falar dessa tal “gordura trans”. Ora, a publicidade nos incita diariamente ao consumo de margarina, que na Alemanha chegou a ser proibida através da legislação, ao invés de manteiga, feita do leite. Assim, entupimo-nos inocentemente de gordura trans, escondida em muitos tipos de bolos, cucas, tortas, doces, pães, etc. Aliás, toda a gordura contida nas carnes e nas frituras, uma vez exposta ao cozimento, torna-se “oxidada”, perdendo o seu valor nutritivo e se comportando como gordura trans. A aterotrombose, causada pelo colesterol, é hoje a principal causa de morte no Planeta. Somente no Brasil, 33% da população dos 20 anos está sujeita às doenças do coração, devido ao alto nível de colesterol, ultrapassando os 50% nos cidadãos acima dos 50 anos. Segundo as estatísticas ela supera as mortes causadas por diabete, pneumonia, Aids e até mesmo as ocorridas no trânsito.

Paulo Oleksiuk/Médico psiquiatra, geriatra ortomolecular


OPINIÃO
 

Astolfo Faria Moreira - Servidor Público Municipal - Apiacá - ES
Não há porque não ratificar a Convenção-Quadro, já está mais do que provado que a receita de impostos gerada pelo comércio de fumo não cobrem os prejuízos causados aos cofres públicos para o tratamento dos problemas de saúde apresentados pelas vítimas do tabaco, que não atingem apenas os fumantes, ativos ou passivos, mas, também, os trabalhadores da agricultura tabagística.

Luana Probst Albino - estudante - Braço do Norte - SC
Eu sou estudante de tabagismo e apoio a Convenção-Quadro.


Flavio Henrique Alves de Lima - Medico Pediatra - Jatai - GO
Acho que esta na hora e no momento do parlamento Nacional mostrar que e serio e independente das forças dos lobbies financeiros.


AVISOS
 

"POR UMA UNIVERSIDADE LIVRE DO TABACO"
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Hospital Universitário Clementino Fraga Filho - Instituto de Doenças do Tórax
NÚCLEO DE ESTUDOS E TRATAMENTO DO TABAGISMO

Debate aberto à comunidade da UFRJ.
Dia Nacional de Combate ao FUMO: 29/8/05
"POR UMA UNIVERSIDADE LIVRE DO TABACO"
Auditório Halley P. Oliveira, 8º. Andar: 10:00 - 12:15h - HUCFF

PROGRAMAÇÃO
9:30 às 10 h: RECEPÇÃO
Assinatura da Carta sobre a Convenção-Quadro para ser Enviada ao Senado.
10 às 10:10: ABERTURA
Saudação da Direção do IDT e HUCFF.
10:10 às 11 h: QUALIDADE DE VIDA E TABAGISMO.

Expositor:
Prof Carlos Alberto de Barros Franco (Pneumologista, Escola de Pós Graduação Médica Prof Carlos Chagas -PUC-RJ): 11 às 12 h MESA: RESPIRAR AR PURO É LEGAL!
Onde há fumaça de tabaco no ambiente... há risco do Tabagismo Passivo!
O que diz a Legislação Brasileira.
O Ambiente Livre da Fumaça de Tabaco é mais Saudável para nossos familiares e
colegas de trabalho.

Expositores:
Dr Alberto J. Araújo (Pneumologista, NETT - IDT - HU)
Dr Sérgio Honorato (Advogado, Auditor TCU).
12 às 12:15 ISSO É QUALIDADE DE VIDA! Ø Certificado 1 ano sem fumar aos
pacientes do NETT.
§ Dra Márcia T. Borges (Fonoaudióloga, NETT - HU).
12:15 ENCERRAMENTO

Viva mais Feliz! Viva sem Tabaco!

NETT - Núcleo de Estudos e Tratamento do Tabagismo
IDT - HUCFF: Sala 3F87 - Fone: 2562-2195
nett@hucff.ufrj.br - rajaraujo@hucff.ufrj.br