Tradição Hermética e Maçonaria (2)

FEDERICO GONZALEZ



De fato, as corporações de construtores medievais deram a estrutura à Maçonaria, inclusive os três graus iniciáticos, e sua simbólica fundamental vinculada com a Arte de Construir. Esta influencia deriva, ou ao menos tem antecedentes nos Collegia ou Scholae romanos, vinculados às Religiões de Mistérios, as quais, por sua vez, fazem-no com o Egito, como já dissemos. Por outra parte, na Alexandria greco-egípcia, dos primeiros séculos anteriores e posteriores ao cristianismo, volta-se a produzir um ressurgimento tanto das religiões mistéricas, que ainda subsistiam, como dos estudos neoplatônicos, pitagóricos e teúrgicos-gnósticos, que desembocam numa corrente onde a Tradição Hermética veiculará estas energias até o Renascimento (em que tornarão a florescer), passando pela Idade Média, onde revestiram formas cristãs, o que não foi difícil dada a identidade de ambas as tradições quanto a suas origens e fins. É precisamente na Idade Média (quando se construíram em toda a Europa milhares de templos, castelos, e cidades inteiras, tanto em estilo românico, quanto gótico, por meio destas associações corporativas, incorporadas à cidade medieval como elementos constitutivos de sua ordem) onde se assenta a gnose Hermética, por intermédio de Pitágoras e da Aritmosofia, quer dizer, o sentido verdadeiro dos números, das proporções, da orientação, dos ciclos, etc., ou seja: os mistérios da Cosmogonia, os segredos do ofício, manifestados pela Filosofia dos Pais da Igreja e Dionísio Areopagita, entre outros, e sobretudo, sem dúvida, pelo Evangelho Cristão, São Paulo, e o fundo tradicional mitológico, religioso e agrícola das culturas anteriores ao cristianismo. 27

Todas estas influências espirituais, ou intelectuais, passam diretamente à Maçonaria, como se encontra documentado em manuscritos alemães e ingleses, e é sobre esta estrutura que se adicionam os outros elementos que mencionamos. Assim a Alquimia se integra a este pensamento posto que ela não é mais que uma expressão ou adaptação a mais deste saber tradicional, e os mesmos Adeptos se colocam sob a filiação Hermética e seu patrocínio. O mesmo vale dizer dos Rosacruzes, herdeiros do pensamento hermético e historicamente relacionados com eles e com a Maçonaria. Também por suas raízes medievais, deve se buscar a associação da Ordem com outras Ordens construtoras e de cavalaria.





Jóias maçônicas
Gravura de E. Curtis, sem data. Impresso em 1801

Quanto ao elemento judeu, assombrar-nos-ia que não estivesse presente numa Ordem iniciática nascida na Europa, pois junto com o cristianismo, que deriva dele, este veiculou os elementos diversos que hoje chamamos Ocidente, aonde se destaca a figura do sábio, rei e construtor, encarnada por Salomão. De fato, o simbolismo do templo maçônico é fundamental na maçonaria e se o reconhece como o modelo e como o depósito de toda ciência, opinião compartilhada pelos sábios; assim no manuscrito de Isaac Newton intitulado "The original of religions" diz-se: "De maneira que era propósito da primeira instituição da religião verdadeira no Egito pôr à humanidade, mediante a estrutura dos antigos templos, o estudo da estrutura do mundo como o verdadeiro Templo do grande Deus ao qual adoravam … ". 28

A Maçonaria é, segundo tudo isto, o resultado feliz da relação e síntese entre diferentes formas de acessar o Conhecimento, e a unicidade que essas formas proclamam. Mas está claro que tamanho empreendimento não foi obra de algumas pessoas, ou do conjunto de ações individuais, encaminhadas para obter essa síntese, apesar da gratidão que merecem variadas personalidades nesse sentido. A Maçonaria é ­e seguirá sendo­ um depósito de Sabedoria Tradicional que outorga o Conhecimento àqueles que são capazes de recebê-lo, e ao qual generosamente expandiu de modo espiritual ­a loja maçônica é um condensador de energias­, e divulgou culturalmente mediante os escritos e a participação de seus membros em diferentes instituições, sem falar de leis públicas, obras sociais, ou de beneficência. A isto deve acrescentar a perene dignificação do trabalho, verdadeiro objeto de culto de sua disciplina e o instrumento de conhecimento de um Maçom e portanto atividade humana por natureza.

Assinalaremos que, quaisquer que sejam as origens maçônicas, elas apontam, uma e outra vez, para os artesãos e construtores medievais e não aos sacerdotes e nobres da época. Sabe-se que os estamentos sociais eram muito fixos na Idade Média e que incluíam basicamente quatro categorias de decrescente importância: a) a Igreja, o Papado e o clero como sabedoria; b) a realeza e a nobreza, particularmente em seu aspecto militar; c) os administrativos, comerciantes e profissionais (artistas e artesãos); e d) o grupo de camponeses, dedicado ao serviço e a produção. 29

A Maçonaria deve ser considerada como originada neste terceiro estamento, de acordo com as leis cíclicas, embora suas histórias míticas incluam reis construtores e sábios arquitetos, e no século XVIII estivesse constituída pela nobreza e no XIX gozasse decididamente do apoio de uma burguesia que já era o poder; também é significativa a incorporação da Alquimia (Via Régia), junto com a inclusão da Filosofia Hermética como componente da sabedoria sacerdotal.

A doutrina dos ciclos nos indica que, em sucessão indeterminável, estes se encadeiam, uns com outros, mas que cada um possui uma organização prototípica quaternária comum, que se desenvolve numa ordem invariável, pela qual determinado elemento constitutivo do ciclo prepondera sobre os restantes, o que é óbvio na quaternaridade das idades do homem: infância, juventude, maturidade e ancianidade. Com a história acontece o mesmo, e cada um dos componentes quaternários da sociedade tem que ter um período de supremacia sobre os outros. Assim foi claro na História do Ocidente a perda de poder da Igreja a favor da nobreza e desta à burguesia, para terminar nas massas proletárias que hoje detêm grande parte do poder, não obstante a confusão reinante neste aspecto que as contradiz ao extremo tal de que uma mesma família, ou idêntico meio social, engendra um filósofo ou um caipira, um homem nobre ou uma besta.

De qualquer maneira a Tradição Hindu também acredita nesta divisão em Castas (que nada tem que ver com as "classes sociais"), que por outra parte se encontra presente nas culturas mais arcaicas, que são fixadas pelo Destino, já que as determina o nascimento, embora como vimos na época atual os estamentos estão tão mesclados que sua validade se desintegra já que a humanidade se encontra no último estado de um período de dissolução que, como se sabe, é chamado Kali Yuga.

Do ponto de vista histórico, nasce a Maçonaria numa época onde as corporações de artesãos passavam a ser instituições de poder, e o profissionalismo de seus integrantes ocupava uma função no enquadramento do Estado. Esta influência é parelha à perda de importância da Igreja, e da Monarquia, e se corresponde com a crescente preponderância da burguesia formada por profissionais, mercadores e administrativos, em séculos posteriores. E esta determinação que faz os ciclos históricos e as castas marcará de algum modo os maçons (face às pretensões mundanas de alguns), que em linhas gerais pertencem a estes estamentos sociais profissionais e comerciais, aos quais também protege o deus Mercúrio. Pondo em destaque que, para a já mencionada Tradição Hindu, são os kshatriyas e, particularmente, os vaishyas (casta que igualmente pode acessar a liberação como a dos sábios e dos guerreiros) que poderiam se equiparar com os estamentos sociológicos e históricos da Maçonaria, relacionada igualmente com Noé (e sua arca), quer dizer como depositária da antiqüíssima Ciência Sagrada, emanada da Tradição Hermética. 30

Para finalizar apontaremos que inclusive a Maçonaria medieval é nômade, ou melhor semi-nômade, e os construtores de catedrais, castelos, ou burgos, viajavam de uma a outra área segundo suas necessidades, relacionadas com seus movimentos, tais e quais as tribos vão trocando de paragens de acordo igualmente às suas. Num momento determinado, estes construtores se assentam em diferentes cidades e fundam grêmios de diversos ofícios, já que a cidade cresceu e se desenvolve conjuntamente com eles; são agora portanto pessoas sedentárias, que assim assentadas, oferecem de uma ou de outra maneira seus conhecimentos indispensáveis para todo labor ordenado e civilizador. Como vemos, é possível também relacionar a Maçonaria em sua evolução com as diferentes etapas mediante as quais se gera a cultura, basicamente assentada nas cidades. Abel deu lugar a Caim, e os construtores trocam sua forma de atuar, formando o sólido modelo das cidades, e, finalmente, do estado. Caim matou Abel mas, graças a seu sacrifício, o construtor pode passar através do rígido caminho das formas, à essência não formal, que entretanto as contém de modo potencial. O construtor então realiza por meio de uma indústria contingente uma ocupação eminentemente metafísica e transcendente.

É interessante destacar que Caim ­como se sabe, antepassado dos maçons­ foi condenado pelo YHVH a ser um vagamundo sobre a terra para purgar o crime cometido contra seu irmão Abel. Porém, quando construía uma cidade, sua esposa deu a luz a seu filho Enoque (apelativo que aparece no Antigo Testamento como o do filho de Caim e o do quinto filho de Set) 31 cujo nome se fez extensivo à vila. Este último (Gênese 4, 9 a 18) deve confirmar o dito precedentemente com respeito ao fato do vagamundeio permanente e a ulterior fixação de uma família, que se projeta numa casa e posteriormente numa cidade, ou civilização.

Cremos que este tipo de simbólica relacionada com fenômenos cósmicos, ou cíclicos, está na raiz do assunto da passagem da maçonaria operativa à especulativa, ou seja, da adequação a novos modos de expressão da Ciência Sagrada em relação com os devaneios do pensamento humano. 32 De todas as maneiras, este é um fato que sempre se produz em qualquer transformação onde algo se perde e algo se regenera; há quem prefira lamentar aquilo que se perdeu, outros se regozijam no fato de que a doutrina tenha sobrevivido, além de disputas mais ou menos políticos (Hannover-Stuart) ou formas do cristianismo (Igrejas reformadas­Igrejas submetidas a Roma). Neste último caso, a vigência das reformas empreendidas pelos "modernos" universaliza a Maçonaria ao se abrirem as portas a judeus (1732) e islâmicos (1738), de modo ecumênico, em detrimento de uma ortodoxia provinciana pretendida por determinados agentes do poder eclesiástico. E se muitos maçons ­entre os quais nos incluímos­ rechaçam o poder de Roma, não o fazem assim enquanto membros da Ordem, senão exclusivamente enquanto cristãos, comprometidos com os textos evangélicos e portanto também com o Antigo Testamento, em detrimento da nova teologia da libertação.

E embora a Maçonaria, como vimos reiteradamente, tem suas origens nos canteiros de pedras medievais, e portanto nas rigidezes religiosas das concepções desse tempo, não se deve esquecer que desde essa época até o século XVIII, onde toma sua forma especulativa, estes construtores viveram imersos num novo mundo, o do Renascimento, inspirado no Corpus Hermeticum, no Pitagorismo (também nos Hinos Órficos e nos Oráculos Caldeus) e sobretudo em Platão, nos neoplatônicos e Proclo, que se vê refletido em seus palácios, igrejas, jardins e torres, arquitetura interior, engenhos mecânicos e outras maravilhas de magia natural e experimentação científicas e artísticas (pinturas, esculturas, ourivesaria e movelaria) que tiveram sua origem na Academia dos Médicis, dirigida pelo Marsilio Ficino, cuja influência se estendeu em toda a Europa por quase três séculos, e que por certo esteve presente na Inglaterra Elisabetana e seus sucessores, e que desemboca não casualmente, e só para dar um exemplo, na tradução do Corpus Hermeticum por Sir Walter Scott, mestre maçom, na mesma época em que as lojas maçônicas inglesas irrompem com força na História moderna.

Os distintos Ritos e Obediências, apesar da sua heterogeneidade, têm em comum o Grande Arquiteto do Universo, e um ofício compartilhado: a Arte e a Ciência de Construir, que reconhecem no Símbolo sua expressão mais cabal. De certa forma, esta diversidade poderia comparar-se às distintas "gnoses" dos primeiros séculos de nossa era, inclusive a cristã, cujo fim último era obviamente o mesmo, face às diferentes malversações nas quais pode se ver envolta qualquer associação.

Esta "atomização" das Lojas é, de fato, a forma que tomou historicamente a Maçonaria para se multiplicar, e não nos deve surpreender então que esta ou aquela Oficina dê mais atenção sobre um ou outro aspecto dos símbolos, ou das origens da Ordem, conforme se sintam mais ou menos identificados com eles. O mesmo aqueles mais relacionados emocionalmente com determinada Religião, ou com conceitos humanistas de diferentes tipos. 33

Todas essas idéias, ou melhor, a convergência e execução destas correntes maçônicas, hoje também podem ter lugar em um âmbito mais amplo que o das oficinas, onde muitas vezes questões meramente pessoais de simpatias e antipatias, ou problemas sociais ou econômicos e políticos podem criar tensões e até abismos entre seus integrantes. Isto poderia encontrar uma solução, como de fato já ocorre, em certas lojas de estudos maçônicos, formadas por mestres de distintas oficinas, como ocorre em outras partes; estas lojas que se reúnem uma ou duas vezes ao ano durante os solstícios, celebrando-os, são de trabalhos estritamente doutrinários e históricos sobre os símbolos, ritos e antecedentes iniciáticos da Ordem, sem se deixarem afetar pelas diversas influências que correm entre as diferentes oficinas; como já se disse, são lojas maçônicas de Mestres que já foram Oficiais ou Veneráveis de diferentes lojas maçônicas e que provaram por numerosas circunstâncias, e ao longo dos anos, sua pertença às origens, usos e costumes e deveres da Ordem.

Pondo ponto final a este superficial panorama, queremos destacar a importância que teve a Maçonaria ­e por seu intermédio a Tradição Hermética­ na independência e organização das repúblicas americanas (do Norte, Centro e Sul), onde se podem destacar, entre outras, as figuras de Francisco de Miranda, Simón Bolívar, George Washington, José de San Martín, Antonio José de Sucre, José Martí, Miguel Hidalgo, 34 etc., não só fundadores de países, constituições, legislações e instituições, mas também de cidades, tal o caso da cidade de Washington DC., capital dos Estados Unidos que leva o nome de seu fundador e da Ciudad de La Plata, província de Buenos Aires, fundada pelo mestre maçom Dardo Rocha 35. Deve se destacar que o anteriormente mencionado se fez com base ao ordenamento desses povos, promovendo à cultura, a educação, a arte e as boas maneiras em países onde sobressaíam a desorganização e a violência, cumprindo certamente a Maçonaria uma função civilizadora que subsiste de diferente forma até nossos dias, já que a América, suas instituições e forma de vida, nasceram historicamente sob seu signo.


George Washington colocando a primeira pedra do Congresso dos Estados Unidos. 18 de setembro de 1793, por J. Melins


Plano da ciudad de La Plata
NOTAS
27 Como curiosidade, observaremos que só a Ordem do Templo, dentro do primeiro século a partir de sua constituição (1128), construiu 80 catedrais, 60 abadias e 9000 comendas.
28 Isaac Newton, El Templo de Salomón. Introd. de J. M. Sánchez Ron, p. XXIX. Tradução e estudo filológico C. Moreno. Ed. Debate/CSIC, Madrid 1996. (Ver aqui resenha em espanhol ).
29

De fato a vinculação entre a Maçonaria e os estamentos do poder se encontra assinalada do começo da Ordem, inclusive em seus mitos, em sua relação com os distintos reinos europeus, príncipes e nobres, e posteriormente com os meios econômicos e políticos caracterizados pela incorporação de uma crescente burguesia com mando e influência na sociedade moderna. Ver as seguintes listas e anexo.

Listas

Na Inglaterra: os reis Athelstan e Edwin (s. X), Eduardo III (1327-1377) que favoreceu a instituição poderosamente, protetor das lojas maçônicas e das artes e ciências. Jaime I da Inglaterra (e VI de Escócia), filho de Mary Stuart. Da casa de Windsor: Jorge IV, (1762-1830), Guilherme IV (1765-1837), Ernesto Augusto, duque de Cumberland e rei de Hanover (1771-1851), Jorge V - de Hanover (1819-1878), Eduardo VII (1841-1910), Jorge VI (1895-1952), e também Frederico Luis, príncipe de Gales (1707-51), Guilherme Augusto, duque de Cumberland (1721-65), Eduardo Augusto, duque de York (1739-67), Guilherme Henrique, duque de Gloucester (1743-1805), Henrique Frederico, duque de Cumberland (1745-90), Frederico Augusto, duque de York (1763-1827), Eduardo Augusto, duque de Kent (1767-1820), Augusto Frederico, duque de Sussex (1773-1843), Artur, duque de Connaught (1850-1942), Leopoldo, duque de Albany (1853-1884), Alberto Vítor, duque de Clarence (1864-1892), príncipe Artur de Connaught (1883-1938), Eduardo VIII, último duque de Windsor (1894-1972), Jorge, duque de Kent (1902-1942), até os atuais príncipes Felipe, duque de Edimburgo, e Eduardo, duque de Kent (1935). 

Na Escócia, Robert Bruce, e depois dele todos os reis Stuart, assim como as famílias nobres das quais emanava a guarda real escocesa: Hamilton, Montgomery, Seton, Sinclair e os próprios Stuart. Dos anteriores terá que destacar a William Sinclair, Conde de Orkney e Caithness, Grande Almirante da Escócia em 1436, deste modo construtor, renomado em 1441 por Jaime II, patrão e protetor dos maçons escoceses; função hereditária até 1736, em que o W. Sinclair de então (Saint-Clair) renunciou por não poder ocupar-se, sendo eleito primeiro Grão-Mestre da Escócia por votação unânime dos representantes das 33 Lojas maçônicas. Em 1600 e 1630 aparecem como "patronos", "protetores" e "juizes" nas Cartas assinadas pela assembléia de Lojas maçônicas escocesas, assinada esta última deste modo por William Shaw (Estatutos Schaw) Mestre de Obra e Vigilante Geral (Supervisor das obras do Rei, Jaime I da Inglaterra e VI da Escócia). Ainda em 1812-13, e um de seus descendentes, o segundo conde James, que seria lorde presidente do Conselho em 1834, foi Grão-Mestre da Escócia.

Na Alemanha, Áustria e Prússia: Frederico II, da Prússia, o Grande, "uma das maiores figuras do século XVIII", rei em 1740, iniciado dois anos antes sem que o soubesse seu pai, e junto com ele o príncipe de Lippe Bückerburg e o conde de Warteuslebem; seus três irmãos, Guilherme, Henrique e Fernando. Frederico Guilherme II, sobrinho e sucessor, vinculado com os Rosacruzes; Frederico-Guilherme III; Guilherme I, rei da Prússia (1861) e imperador da Alemanha (1871-88); Frederico III, Grão-Mestre em 1860, iniciado como o anterior por seu pai em uma loja maçônica especial formada por dignitários das três Obediências berlinenses; tomou o título de "Grande Protetor da Maçonaria" ao subir seu pai ao trono. A eles terá que se adicionarem outros membros dos ramos colaterais desta Casa de Hohenzollern (Brandenburgo Ansbach, B. Bayreuth, e B Schwedt; e a Casa de Brunswick). Na Áustria, Francisco duque da Lorena e grão-duque da Toscana (mais tarde imperador) iniciado em 1731, marido de Mª Teresa; o conde Kaunitz, chanceler da imperatriz e os conselheiros de sua corte: a primeira loja maçônica (1742) foi criada pelo Conde de Império A. J. Hoditsch e o conde F. de Glossa, a instâncias do arcebispo do Breslau, conde Schaffgotsch, maçom ele mesmo, e apesar da bula de Clemente XII (In eminenti, 1738); num ano tinha iniciado 56 membros das maiores famílias nobres da própria Áustria e outras. Os landgraves (logo grandes duques) regentes de Hesse, Luis VIII, IX e X, e o grão-duque Luis II (s. XVIII e XIX). A todos eles terão que ser somados os pertencentes a outras casas reais da Europa, incluindo a Noruega e a Suécia.

Na França: Os Grão-Mestres até a época napoleônica: o duque de Antin, par da França, 1738-43; o príncipe de Borbón-Condé, conde de Clermont, 1743-71; o duque de Chartres, depois de Orléans, príncipe de sangue, 1771-93, e Roettiers de Montaleau, 1795-1804, Grande Venerável da Maçonaria francesa. Deste modo os príncipes: de Condé, duque de Borbón; de Conti, príncipe de sangue; de Rohan; de Pignatelly, mestre das lojas maçônicas de Nápoles; de Saint-Maurice; os duques: de Choiseul-Praslin, de Choiseul-Stainville, de Luynes, de Lauzun; o duque Segismundo de Montmorency-Luxemburgo, administrador especial da Ordem (Grande Oriente e Grande Loja maçônica da França) de 1771 a 1789, de grande memória como nobre e maçom. Na Bélgica: Court de Gebelin se destaca pela importância internacional que adquiriu na Maçonaria; também foi membro do governo da monarquia belga que teve a Leopoldo I como seu primeiro rei, que era maçom, assim como outros membros desta família. 

Ao pessoal da França devemos adicionar também os mais altos dignitários do Império Napoleônico, começando pelo próprio Napoleão e por seu delegado, o príncipe J.-Jacques Regis de Cambacérès, duque de Parma, Grão-Mestre do Grande Oriente (1806-15) e Grande Comendador do Supremo Conselho do Rito Escocês sob o Império, assim como de outros três Ritos; por sua vez, ao menos 17 dos 25 marechais do Primeiro Império eram maçons. Tudo isso sem contar os meios econômicos e políticos da burguesia e o peso intelectual dos nobres de novo cunho e os intelectuais que substituíam à nobreza. Exemplo disso: Voltaire, Montesquieu, Condorcet (enciclopedista), La Rochefoucault posteriormente, Gérard de Nerval (?), etc. os sábios La Cépède, Lalande, Montgolfier, encabeçando uma geração que incluía inventores, médicos, pintores e músicos, e todo tipo de investigadores, a maior parte hoje esquecidos mas que contribuíram, em seu momento, ao desenvolvimento da cultura atual, membros muitos eles da Academia e do Liceu Franceses, da Academia das Ciências e das Artes etc. etc. O mesmo nos países antes mencionados e suas figuras intelectuais, científicas (especialmente na Inglaterra), políticas e econômicas até início do século XX. Nas capitais e nas províncias, as autoridades eram maçônicas e ainda hoje existem famílias inteiras maçônicas que receberam com orgulho esta herança. 


Anexo

Do mesmo livro citamos a nobres francesas, pertencentes a lojas maçônicas de adoção: a duquesa de Borbón, que recebeu em 1776 o título de Grã-Mestra de todas as Lojas maçônicas de Adoção da França: na sessão "o Duque de Chartres presidia os trabalhos; seiscentas pessoas estavam presentes, entre as irmãs se destacavam a duquesa de Chartres, a princesa de Lamballe, as duquesas de Luynes e de Brancas, a condessa de Caylus, a viscondessa de Tavannes, as marquesas de Clermont e de Sabran. Terminados os trabalhos maçônicos, a assistência desceu aos jardins brilhantemente iluminados, onde divertimentos mesclados com música e canto precederam a um fogo de artifício cuja obra principal representava o Templo da Amizade e da Virtude. Houve a seguir banquete e baile e a festa terminou com uma arrecadação para fins de beneficência" (pág. 87). Outras damas da nobreza, pertencentes a lojas maçônicas vinculadas às masculinas do mesmo nome: a Grande Inspetora marquesa de Villervaudey, as condessas de Durfort, Janey; marquesas de Felletan, de Germigney, de Moam; baronesa de Glanc (Loja maçônica Sincérité de Besançon); duquesa de Cossé-Brissac, condessas de Caumont, de Saint-Pierre de Pontcarré, baronesa de Beaumont (São Luis de Dieppe); na Loja maçônica a Perfeita Amizade de Toulouse "particularmente elegante e aristocrática" as marquesas de Crouzet, de Rességuier, de Montlaur, viscondessa de Rochemaure, baronesa de Panetier, Mmes. de Saint-Victor, de Mahieu, de Rochefort, de Lacroix, etc. etc. além das Oficiais da Loja maçônica, sendo a maioria delas esposas dos membros da Loja maçônica masculina; a duquesa de Harcourt, condessas de Blagny, de Briqueville, de Faudoas, de Lestre, de Brassac, de Beaufort, viscondessa de Mathan, marquesas de Briqueville, de Bouthillier, de Molans (Loja maçônica militar São Luis em Caem); a baronesa de Viomesnil, Grande Inspetora, princesa de Horns, viscondessa de Nédonchelle, condessas da Valette, de Pestalozzi, de Marguerye, du Petit-Thouars, de Messey, marquesa de Balivières (Loja maçônica São Luis em Nancy). Outras lojas maçônicas de adoção: A Verdadeira Virtude em Annonay, A Perfeita União em Rennes, A Concórdia em Rochefort, Les Neuf Sœurs em Toul, Philadelphes em Narbona, a muito importante São João da Candura em Paris, etc.
30 Ver  "Os Livros Herméticos" (portuguès : em construção).
31 Enoque filho de Caim é ancestral do primeiro que trabalha os metais, bronze e ferro: Tubalcain, bem conhecido na Maçonaria. Hiram-Abif, filho de Israel e de Tiro, o Mestre Hiram dos maçons, é artesão do bronze e do ferro, da mesma forma que do ouro e da prata, da pedra e da madeira, dos tecidos e da gravura (II Crônicas 2, 13). O quinto Enoque filho de Set é o que "desapareceu, porque Deus o levou" (Genesis 5, 24). O pai de Tubalcain, Lamec, também aparece na descendência de Set, e nela é pai de Noé (Gen. 5, 24).
32 Por outra parte, deve-se esclarecer que a primeira versão das Constituições de Anderson estava incompleta e só havia dois graus iniciáticos. A esta omissão tão estranha veio somar a supressão da maçonaria do Royal Arch, tendo-se só em conta a maçonaria do esquadro (square masonry) sem ser coroada pela maçonaria do compasso, sendo ambos ferramentas, como se sabe, símbolos respectivos da terra e do céu. A isso se opuseram as Lojas maçônicas autenticamente operativas que, rechaçando este erro, passaram a defender as Antigas Constituições, encabeçadas em 1725 pela Grande Loja de York, ou em 1751 pela Grande Loja dos Antigos, que só aceitaram reunir-se com a Grande Loja de Londres, (a dos modernos, para os quais Anderson tinha escrito suas Constituições) em 1813, depois que estes aceitaram incluir em seu seio o que tinha sido desde tempo imemorial a Tradição da Ordem; desse modo se reconstituiu a herança anterior na forma que chegou até hoje. Este tipo de equívocos tem feito que alguns autores maçônicos suspeitem de certos aspectos do trabalho do pastor Anderson, que pareceria ter querido desviar os objetivos e origens da Maçonaria, embora deve ser dito em seu desencargo, que em outros documentos maçônicos historicamente válidos igualmente só aparecem os graus de aprendiz e companheiro. Em todo caso, se houve uma intenção deste tipo ela não prevaleceu e as Constituições de Anderson foram refeitas e se impôs a Tradição. Desde outro ponto de vista, qualquer adaptação aos tempos modernos de uma Antiga Tradição, necessita uma profunda adequação que só o tempo e outros muitos fatores, ainda de sinal contrário, promovem. A Igreja de Roma poderia ser um modelo quase camaleônico de adaptação: da escolástica à teologia da libertação, da sofia à ciência moderna, do sagrado ao religioso. E adicionar que a Maçonaria, como Instituição Iniciática sobreviveu a católicos e protestantes.
33 Como bem diz o refrão, "Ninguém recebe as heranças com benefício de inventário".
34 Nos Estados Unidos os nomes ligados ao futuro E.U.A. são muito numerosos tanto por sua qualidade como por sua quantidade; os nomes de: George Washington, Benjamim Franklin, Thomas Jefferson (segundo F. M. Hunter, Research Lodge of Oregon, 1952), James Madison, são óbvios para todos aqueles que estudaram a história deste país e sua imensa repercussão no resto da América Latina e do mundo; tenha-se em conta a importância que teve a independência e a organização política dos E.U.A. para a independência e organização hispano-americanas; tanto os primeiros presidentes norte-americanos como os latinos foram maçons. Há dúvidas sobre a pertença à Ordem de Adams, igualmente uma figura muito importante da América do Norte; terá que somar a Alexander Hamilton, ainda que não tenha sido presidente (muito influente seu livro O Federalista), e deste modo a Monroe, Andrew Jackson, Polk, Buchanan, Andrew Johnson, Garfield, Theodore Roosevelt, Taft, Harding, Franklin D. Roosevelt, até chegar a Truman e o fim da 2ª Guerra Mundial. 

Políticos e Libertadores: Simón Bolívar (Venezuela, Colômbia, Bolívia), José de S. Martín (Chile e Peru), Antonio J. de Sucre (Equador), José Martí (Cuba), Francisco de Miranda (que iniciou a Bolívar, O'Higgins e S. Martín na loja maçônica Grande Reunião Americana que ele tinha constituído na Inglaterra), Hnos. O'Higgins, Carlos de Alvear, Bermúdez, Undarreta, A. Páez, O'Connor, D. Jiménez, J. M. de Alemán, Arizmendi, J. Tadeo Moragas, Rodríguez Peña, Pueyrredón, Maceo, M. Gómez, Grales. A. Valero, D. de Tristán, etc. Presidentes: Argentina: Justo J. de Urquiza, Bartolomé Mitre, historiador e Grão-Mestre, Santiago Derqui, Domingo F. Sarmiento, quem fez a reforma e plantou os pilares do desenvolvimento educativo, que foi deste modo G. Mestre do Grande Oriente. Brasil: José Bonifácio de Andrade, Fco. José Cardoso, Luis A. Vieira da Silva, Joaquín de Macedo Soares, Eusébio de Queiroz (aboliu a escravidão), Marechal Deodoro da Fonseca (República, 1889). Colômbia: León Echeverría, Gral. Mosquera, Fco. de Paula Santander, Gral. A. Nariño. Venezuela: Diego B. Urbaneja (vice-presidente do país em 1847-48, presidente do Grande Oriente Nacional Colombiano e da Grande Loja da Colômbia estabelecidos em Caracas em 1824, pertencendo ao primeiro os principais artífices civis e militares da independência da Colômbia, Venezuela, Equador, Panamá, todos 33º); Antonio Páez, José Tadeo Moragas, José Gregorio Moragas, (fim da escravidão); Antonio Guzmán Branco, Joaquín Crespo, Andueza Palácio, Grão-Mestres. Peru: José Rufino Echenique (1852), Miguel San Román. México: Miguel Hidalgo, Vicente Guerrero, Guadalupe Victoria, Guadalupe Gómez Pedraza, Javier Echevarria, Nicolás Bravo, Benito Juárez, Melchor Ocampo, Sebastián Tejada, Porfirio Díaz, Francisco Madero, etc. muitos deles Grão-Mestres.

35 Nas cidades americanas grandes, médias, e ainda pequenas, o edifício da loja maçônica ocupa sempre um lugar destacado.


 

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