É
comum no meio maçônico dizer que determinada pessoa sempre
fora Maçom, mesmo antes de ter-se iniciado. Isto porque tal indivíduo
é detentor de qualidades e virtudes características de
um verdadeiro maçom. Mas quais são essas marcas que levam
alguém a ser considerado um maçom nato? Como se pode afirmar
tal coisa sem risco de se enganar?
O livro sagrado nos dá o caminho. Nele está escrito: "conhece-se
a árvore pelos frutos que produz. É impossível
que uma boa árvore produza maus frutos, assim como é impossível
á árvore ruim produzir bons frutos". Assim é
o homem: se dele advém boas coisas, atitudes corretas, gestos
edificantes, ele é como uma boa árvore que produz bons
frutos. Se for o contrário, se seu caráter for falho,
por mais que tente mascarar sua personalidade, não conseguirá:
é uma árvore ruim, que produz frutos ruins. O poeta e
filósofo Emerson disse: "o que a pessoa é na realidade
paira sobre sua cabeça, e brada tão alto que é
impossível ouvir sua voz dizendo o contrário numa vã
tentativa de ludibriar os outros".
Quando o neófito encontra-se à porta do templo e é
anunciado , como um candidato a conhecer os Augustos Mistérios
Maçônicos, é perguntado como pode ele conceber tal
propósito. A resposta dada constitui-se na primeira característica
necessária a um Maçom nato: "Porque ele é
livre e de bons costumes".
O homem livre é aquele capaz de oferecer-se como causa interna
de seus sentimentos, atitudes e ações, por não
estar submetido a poderes externos que o forcem e o constranjam a sentir,
a fazer e a querer o que quer que seja. A liberdade não é
tanto o poder para escolher entre várias possibilidades, mas
o poder para auto determinar-se, dando a sí mesmo regras de condutas.
Portanto, somente é de fato livre, aquele que é senhor
de sí mesmo. O verdadeiro maçom, sabe respeitar a liberdade
alheia , conhece os limites entre o certo e o errado e não se
rende às paixões ignóbeis. Ele tem consciência
de que, como afirmou o filósofo Nietszche: "A ação
mais alta da vida livre, é nosso poder para avaliar os valores".
Ser de bons costumes equivale a dizer que ele um homem íntegro,
que tem sua conduta pautada em sólidos princípios éticos
e morais, que é um cidadão exemplar, cumpridor de seus
deveres, reto em seus compromissos, honesto em seus negócios,
um bom pai de família, respeitador e correto em todos os sentidos.
Na continuidade do processo de iniciação é perguntado
se o neófito encontra-se preparado para ingressar na Sublime
Ordem. Eis a resposta: "Sim, pois seu coração
é sensível ao bem". Temos aí a segunda
marca de um legítimo Obreiro da Humanidade: possuir um coração
sensível ao bem.
O coração de um maçom não aceita as injustiças
e não compactua com o erro e a maldade. E mais do que isso, ele
se inquieta, se revolta e luta contra todo tipo de injustiça
e opressão. Ao longo de toda história da humanidade a
Maçonaria tem-se empenhado em duras batalhas contra a tirania
o despotismo e o obscurantismo, sofrendo com isso conseqüências
dolorosas, perseguições implacáveis que resultaram
no flagelo e na morte de vários irmãos. Ela porém
jamais se curvou, jamais abriu mão de seus nobres ideais, nunca
se omitiu em sua missão altruística, em sua luta inglória
em favor da Liberdade, da Igualdade, e da Fraternidade.
Igualmente hoje quando o futuro da raça humana aponta para rumos
incertos, a influencia benéfica e restauradora da Maçonaria
se faz necessária. Num momento em que nossa pátria no
olho de uma crise mundial passa por momentos difíceis devido
ao estado fragilizado de sua economia, o que leva a muitos passarem
apertos financeiros, está em voga a prática do salve-se
quem puder e do cada um por si. Muitos são os adeptos da famigerada
Lei de Gerson, onde o importante é levar vantagem em tudo. Quando
testemunhamos a importância e a natureza sagrada da família
sendo relegada a segundo plano por motivos fúteis, quando vemos
as drogas, a violência e todo tipo de criminalidade assolando
a sociedade, nós, os pedreiros livres, não podemos nos
omitir.
Batalhas, embora não sangrentas como as da Antigüidade,
mas igualmente árduas, esperam por nossa ação.
Não mais a espada, mas nossa determinação, nosso
exemplo, nossos propósitos de aperfeiçoamento são
nossas armas.
O juramento sagrado proferido pelo maçon com a mão direita
sobre o Livro da Lei (Bíblia Sagrada), é um compromisso
assumido com Deus , com os irmãos, mas sobretudo consigo mesmo,
compromisso este de, através do auto aperfeiçoamento,
contribuir significativamente para o aprimoramento de toda a humanidade.
Se ali se encontra um incauto, um dissimilado que equivocadamente foi
levado ao processo de iniciação, lamentavelmente tal pessoa
não passará de uma grande decepção. Com
certeza, as exigências das práticas maçônicas,
pesadas ao fraco de caráter, se encarregará com o tempo
de excluí-lo da Maçonaria.
Mas se ao contrário, o homem postado diante do Altar dos Juramentos,
for da estirpe dos grandes homens, se trouxer consigo as marcas indeléveis
que caracterizam os verdadeiros maçons, estará o mundo
ganhando um lutador valioso, um guerreiro do Bem e da Justiça.
Quisera todos os homens livres e de bons costumes do planeta tivessem
a mesma oportunidade, para que no ambiente propício de uma oficina
maçônica, recebendo a inspiração da Filosofia
ali difundida, pudessem direcionar seus esforços de forma efetiva
em prol da construção de um mundo melhor.
O verdadeiro maçom sabe que não há melhor argumento
que sua própria vivência . Ele se impõe no seu ambiente
influenciando-o positivamente, não de forma arrogante ou arbitrária,
mas por sua conduta exemplar e inquestionável. Ele é enérgico
porém bondoso. Firme, porém humilde. Sua bondade e humildade
residem no fato de saber que, a despeito de num dado momento de sua
vida maçônica ser simbolicamente denominado mestre, na
prática será sempre aprendiz. Aprende-se a todo instante
e de todas as formas. O Maçom é o pedreiro de sí
mesmo, e por mais que a obra esteja adiantada, sempre faltará
um retoque, pequeno que seja. E depois outro, outro, e mais outro, assim
infinitamente. Por mais que se saiba, por mais evoluído que seja,
sempre restará algo a aprender, novas lições a
assimilar. Na escola da vida não há formandos, ou formados,
apenas eternos alunos em busca do aperfeiçoamento.
Fixemo-nos pois, nas principais características que distinguem
o verdadeiro Maçom e não nos desvirtuemos de nosso objetivo
maior. Mantenhamo-nos livres e firmes na prática dos bons costumes,
e que com o auxilio do "Grande Arquiteto do Universo" nossos
corações sejam cada vez mais sensíveis ao bem.
E lembremo-nos sempre: "o que para o profano é um gesto
meritório, para o Maçom é um dever sagrado."
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