Cúpula
do G8 "salva o mundo" em dois dias
Mídia
alemã analisa a falta de consistência das medidas apresentadas
ao fim do encontro de cúpula em Heiligendamm e prevê
breves desafios internos para a premiê Angela Merkel
A
cúpula do Grupo dos 8 na Alemanha deixou, por um lado, Angela
Merkel com a imagem de uma chanceler federal "poderosa e vencedora".
Por outro, ativistas e organizações internacionais
apontam para a fragilidade dos resultados do encontro. Acompanhe
aqui algumas análises de jornais alemães após
os dias de reunião no balneário de Heiligendamm.
Miss World
"Os belos dias de tapetes vermelhos, celebrados por Merkel
até o fim, se encerram. Ela tira proveito disso, o que se
reflete também nas pesquisas de opinião. Uma chanceler
federal soberana no círculo dos poderosos, isso as pessoas
adoram. Mas de agora em diante, a Miss World vai cair de novo nos
abismos da política interna. Também aí é
necessário ter talento para mediar, capacidade de liderança
e habilidade diplomática. Sua coalizão de governo
mostra fissuras profundas. Em casa, os explosivos já estão
sendo acumulados." (Stuttgarter Zeitung)
Irmã gêmea
"Na política interna, Merkel mal pode computar pontos
com isso. Pois ganhar eleições e angariar eleitores
é algo que, mesmo num mundo globalizado como esse, continua
acontecendo dentro de casa. E em casa Angela Merkel parece ter uma
irmã gêmea, que não tem nada a ver com aquela
que conduz a política externa de forma tão enérgica
e definida. Anseia-se que Merkel tivesse esse mesmo afã na
política interna jogando hard ball, como dizem os
britânicos, como ela mostrou a George W. Bush no palco internacional."
(Süddeutsche Zeitung)
Engodo
Cerca
de segurança é aberta e 'comuns mortais' voltam a
poder circular no balneário
Os 60 bilhões de dólares são um monte de dinheiro.
Mesmo assim, as promessas do G8 de ajuda aos países da África
nos próximos anos não têm muito valor. Não
há nenhuma declaração segura a respeito de
que, quando e quanto será entregue a quem. Isso é
devastador, uma vez que se sabe que a integridade moral dos ricos
em relação a pagamento é péssima. Diante
disso, o segundo compromisso dos participantes da cúpula
a intenção de aumentar até o ano de
2010 a ajuda ao desenvolvimento é outro engodo. Há
muito se sabe que a real ajuda aos pobres seria a abertura dos mercados
dos ricos para produtos estrangeiros e o fim das subvenções
agrárias." (Badische Zeitung)
Ouvidos tampados
"À Alemanha, à União Européia,
mas também aos Estados do G8 falta uma compreensão
do continente africano que faça jus a seu nome. As missões
internacionais em regiões de crise ou deixam de acontecer
(Somália) ou são iniciadas quando já é
tarde demais (Congo). Para além da retórica da consternação,
quase não há uma linha única de conduta em
relação ao desrespeito maciço aos direitos
humanos (Sudão). E quando os países africanos insistem
com veemência na liberdade do comércio internacional,
os grandes da globalização simplesmente tampam os
ouvidos". (Rhein-Zeitung)
Trabalho de RP
"Uau! Em menos de 48 horas, Angela Merkel salvou o clima, a
África e a paz no mundo. Também seus colegas aparecem
como vencedores: George W. Bush não está mais isolado
e sim amistosamente integrado. Tony Blair assegura seu legado como
combatente da fome no mundo. E Wladimir Putin não aparece
mais como uma ameaça de guerra, mas como diplomata-mor. Infelizmente
os cumprimentos precisam ser direcionados menos aos próprios
políticos e mais a seus assessores de relações
públicas. Afinal, foram eles que conseguiram vender como
sucesso um encontro com tão pouca substância".
(taz, die tageszeitung)