Sessão
solene, em 25/08/2005
Homenagem ao Dia do Maçom
O
SR. PRESIDENTE (Deputado Arnaldo Faria de Sá)
- Agradecemos a presença ao eminente irmão Hélio
Pereira Leite, Grão-Mestre do Distrito Federal, que representa
o Grão-Mestre-Geral do Grande Oriente Brasil, Laelso Rodrigues;
a Edelcides Lino de Melo, Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica
de Brasília; ao Ministro José de Jesus Filho, do Superior
Tribunal de Justiça; a Izalci Lucas Ferreira, Secretário
de Ciência e Tecnologia do GDF. Agradecemos a todos os presentes
nesta sessão solene de homenagem ao Dia do Maçom, de autoria
dos Deputados José Roberto Arruda e Arnaldo Faria de Sá.
O SR. PRESIDENTE (Arnaldo Faria de Sá) - Convido a todos
para, de pé, ouvirem o Hino da Maçonaria. (Palmas.)
(É executado o Hino da Maçonaria)
O SR. PRESIDENTE (José Roberto Arruda) - Concedo a palavra
ao nobre Deputado Arnaldo Faria de Sá, como autor do requerimento.
O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP. Sem revisão do orador.)
Sr. Presidente, Exmo. Sr. Presidente desta sessão, Deputado José
Roberto Arruda; eminente Irmão Hélio Pereira Leite, Grão-Mestre
do Distrito Federal, representando o Grão-Mestre-Geral do Grande
Oriente do Brasil, Laelso Rodrigues; Edelcides Lino de Melo, Grão-Mestre
da Grande Loja Maçônica de Brasília; Ministro José
de Jesus Filho, do Superior Tribunal de Justiça; Sr. Izalci Lucas
Ferreira, Secretário de Ciência e Tecnologia do Governo
do Distrito Federal, Sras. e Srs. Deputados, a Maçonaria é
uma instituição essencialmente iniciática, filosófica,
filantrópica, educativa e progressista, não sendo, portanto,
uma religião. É filosófica porque em seus atos
e cerimônias trata da essência, propriedades e efeitos das
causas naturais. Investiga as leis da Natureza e relaciona as primeiras
bases da moral e da ética pura. É filantrópica
porque não está constituída para obter lucro de
nenhuma classe, pelo contrário, suas arrecadações
e seus recursos se destinam ao bem-estar do gênero humano, sem
distinção de nacionalidade, sexo, religião ou raça.
Procura conseguir a felicidade dos homens por meio da elevação
espiritual e pela tranqüilidade da consciência. É
progressista porque, partindo do princípio da imortalidade do
espírito e da crença em um princípio criador regular
e infinito, não se apega a dogmas, prevenções ou
superstições e não opõe nenhum obstáculo
ao esforço dos seres humanos na busca da verdade, nem reconhece
outro limite nessa busca senão a da razão com base na
ciência. Tem por princípios: a liberdade dos indivíduos
e dos grupos humanos sejam eles instituições, raças
ou nações; a igualdade de direitos e obrigações
dos seres e grupos sem distinguir a religião, raça ou
nacionalidade; a fraternidade de todos os homens, já que somos
todos os filhos do mesmo Criador e, portanto, irmãos. Tem por
lemas: Ciência, Justiça e Trabalho. Ciência para
esclarecer os espíritos e elevá-los; justiça, para
equilibrar e enaltecer as relações humanas; trabalhos
por meio do quais os homens se dignificam e se tornam independentes.
Tem por objetivos: a investigação da verdade, o exame
da moral e a prática das virtudes.
Embora tenha a Maçonaria brasileira se iniciado em 1797 com a
Loja Cavaleiros da Luz, criada na povoação da Barra, em
Salvador, Bahia, e ainda com a Loja União, em 1800, sucedida
pela Loja Reunião em 1802, no Rio de Janeiro, só em 1822,
quando a campanha pela independência do Brasil se tornava mais
intensa, é que seria criada sua primeira Obediência, com
Jurisdição Nacional, exatamente com a incumbência
de levar a cabo o processo de emancipação política
do País. Criado a 17 de junho de 1822, por 3 Lojas do Rio de
Janeiro, a Comércio e Artes na Idade do Ouro, a União
e Tranqüilidade e a Esperança de Niterói, resultantes
da divisão da primeira, o Grande Oriente Brasileiro teve, como
seus primeiros mandatários, José Bonifácio de Andrada
e Silva, Ministro do Reino e de Estrangeiros, e Joaquim Gonçalves
Ledo, Primeiro Vigilante. A 4 de outubro do mesmo ano, já após
a Declaração de Independência de 7 de setembro,
José Bonifácio foi substituído pelo então
Príncipe regente e, logo depois, Imperador D. Pedro I (Irmão
Guatimozim).
Por meio de homens de alto espírito público, colocados
em arcas importantes da atividade humana, principalmente em segmentos
formadores de opinião, como as classes liberais, o jornalismo
e as Forças Armadas o Exército, mais especificamente
, a Maçonaria no Brasil iria ter, a partir da metade do
século XIX, atuação marcante em diversas campanhas
sociais e cívicas da nação. No mundo, filósofos
como Voltaire, Goethe e Lessing; músicos como Beethoven, Haydn,
Sibelius e Mozart; militares como Frederico, o Grande, Napoleão
e Garibaldi; poetas como Byron, Lamartine e Hugo; escritores como Castellar,
Mazzini e Espling.
Na América, todos os libertadores foram Maçons. Washington,
nos Estados Unidos; Miranda, o Padre da Liberdade sul-americana; San
Martin e O'Higgins, na Argentina; Bolívar, no norte da América
do Sul; Marti, em Cuba; Benito Juarez, no México; e o Imperador
D. Pedro I, no Brasil.
Assim, no Brasil distinguiu-se na campanha pela extinção
da escravatura negra no País, obtendo leis que foram abatendo
o escravagismo, paulatinamente; entre elas, a Lei Eusébio de
Queirós, que extinguia o tráfico de escravos, em 1850,
e a Lei Visconde do Rio Branco, de 1871, que declarava livres as crianças
nascidas de escravas daí em diante. Eusébio de Queirós
foi maçom graduado e membro do Supremo Conselho do Grau 33; o
Visconde do Rio Branco, como chefe de Gabinete Ministerial, foi Grão-Mestre
do Grande Oriente do Brasil. O trabalho maçônico só
parou com a abolição da escravatura, a 13 de maio de 1888.
A Campanha republicana, que pretendia evitar um terceiro reinado no
Brasil e colocar o País na mesma situação das demais
nações centro e sul-americanas, também contou com
intenso trabalho maçônico de divulgação dos
ideais da República, nas Lojas e nos Clubes Republicanos, espalhados
por todo o país. Na hora final da campanha, quando a república
foi implantada, ali estava um maçom a liderar as tropas do Exército
com seu prestígio: Marechal Deodoro da Fonseca, que viria a ser
Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil.
Durante os primeiros 40 anos da República período
denominado "República Velha" , foi notória
a participação da maçonaria na evolução
política nacional, através de vários presidentes
maçons, além de Deodoro: Marechal Floriano Peixoto Moraes,
Manoel Ferraz de Campos Salles, Marechal Hermes da Fonseca, Nilo Peçanha,
Wenceslau Brás e Washington Luís Pereira de Souza. Durante
a Primeira Grande Guerra (1914 a 1918), o Grande Oriente do Brasil,
a partir de 1916, através de seu Grão-Mestre, Almirante
Veríssimo José da Costa, apoiava a entrada do Brasil no
conflito, ao lado das nações amigas. E, mesmo antes dessa
entrada, que se deu em 1917, o Grande Oriente já enviava contribuições
financeiras à maçonaria Francesa, destinadas ao socorro
das vítimas da guerra, como indica a correspondência, que,
da França, era enviada ao Grande Oriente do Brasil, na época.
Mesmo com uma cisão, que, surgida em 1927, originou as Grandes
Lojas Estaduais Brasileiras, a maçonaria do Brasil continuou
como ponta-de-lança em diversas questões nacionais, tais
como anistia para presos políticos, durante períodos de
exceção, com estado de sítio, em alguns governos
da República; a luta pela redemocratização do País,
que fora submetido, desde 1937, a uma ditadura, que só terminaria
em 1945; participação, através das Obediências
Maçônicas européias, na divulgação
da doutrina democrática dos países aliados, na Segunda
Grande Guerra (1939 a 1945); participação no movimento
que interrompeu a escalada da extrema Esquerda no País, em 1964;
combate ao posterior desvirtuamento desse movimento, que gerou o regime
autoritário longo demais; luta pela anistia geral dos atingidos
por esse movimento; trabalho pela volta das eleições diretas,
depois de um longo período de governantes impostos ao País.
Investindo mais na juventude, criou a Ação Paramaçônica
Juvenil, de âmbito nacional, destinada ao aperfeiçoamento
físico e intelectual dos jovens de ambos os sexos, filhos
ou não filhos de maçons. Presente em todo o País
com aproximadamente 3.000 Lojas, cerca de 91.500 obreiros ativos e reconhecidos
por mais de 100 Obediências regulares do mundo, a Maçonaria
do Brasil é, hoje, a maior Obediência Maçônica
do mundo latino e reconhecida como regular e legítima pela Grande
Loja Unida da Inglaterra, de acordo com os termos do Tratado de 1935.
Hoje comemoramos, merecidamente, o Dia do Maçom no Brasil. Suas
raízes, suas histórias, os bons combates, a luta pela
melhoria do ser humano, pela vida mais digna para o nosso povo, o amor
pela nossa Pátria e principalmente pela esperança de melhor
advir nos faz pensar em seguir os bons exemplos dos maçons que
nos antecederam buscando, com muito ardor, no futuro, um pais mais ético,
mais justo, mais fraterno, mais unido, mais solidário e principalmente
mais humano com as crianças famintas, os jovens desempregados
e os velhos abandonados. Vamos amar o nosso povo. Vamos amar mais o
nosso País. Por isso, Deputado José Roberto Arruda, eu
e V.Exa. temos o prazer e a satisfação de, neste momento,
cumprimentar todos maçons brasileiros, neste momento em que precisamos
de solidariedade e respeito mútuo. E, entre os maçons,
isso é regra.
Acima de tudo, por meio do irmão Tércio Gaudêncio
procurado no início deste ano para que eu pudesse alterar
o art. 59 do Código Civil, que iria modificar a situação
jurídica das lojas maçônicas , foi elaborada
a Lei nº11.127, que altera o art. 59 e permite que todas essas
entidades maçônicas continuem respeitadas em suas condições
filosóficas.
Tive a honra e a satisfação de receber um ofício
do Grão-Mestre-Geral, Laelso Rodrigues, também subscrito
por Luiz Pinto de Sousa Dias e por José Edmilson Carneiro, em
que pedem escusas por não estarem presentes no dia de hoje, mas
estão representados pelo irmão Hélio Pereira Leite.
E também recebi ofício de Fernando Túllio Colacioppo
Júnior, que também pede desculpas por não estar
aqui presente. Deputado José Roberto Arruda, tenho certeza de
que todos os irmãos maçons aqui presentes representam
o que certamente é o mais importante no atual momento: solidariedade
e fraternidade. Parabéns à maçonaria brasileira!
(Palmas.)