n A AMI NASCE VOLTADA PARA A GLÓRIA DO GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO

 
 

Meus amados e estimados irmãos neste momento histórico estamos congregados no mais alto e sublime espírito maçônico para rendermos graças ao Grande Arquiteto do Universo como fonte fecunda de luz, sabedoria e amor. Estamos definitivamente fadados a levantar templos á virtude e cavar masmorras ao vício. Se o homem livre e conhecedor das iniqüidades daqueles que ainda teimam em tiranizar o povo não formar fileiras para o combate constante da tirania, este homem não será maçom na sua plenitude.

 

A maçonaria nos forneceu o discernimento e a inquietação do pensador e, isto ela fez com maestria, cabendo a nós a responsabilidade de disseminarmos os conhecimentos adquiridos. É como os frutos da romã sobre os capteis de nossas colunas, quando atingem a maturidade se abrem e se espalham para o mundo germinando e formando outros frutos. Este contínuo processo foi dado e traçado pelo Grande Arquiteto dos Mundos e nós somos os obreiros desta real arte por vontade de nossos espíritos e por força de nossos juramentos.

Combater o farisaísmo, desmascarar a impostura, prostrar as tiranias, as usurpações, os preconceitos, as mentiras, as supertições, demolir o templo, mas reconstruí-lo, que dizer, substituir o falso pelo verdadeiro, atacar a magistratura feroz, atacar o sacerdócio sanguinário, agarrar um chicote e por fora os vendilhões do tabernáculo, reclamar a herança dos deserdados, proteger os fracos, os pobres, os que padecem, os esmagados, lutar pelos perseguidos e pelos oprimidos é a essência de todo o pensamento de Voltaire, tão bem definida por Vitor Hugo cem anos após a sua morte. O verdadeiro campo de batalha se situa na alma dos homens, principalmente daqueles que são ungidos ao conhecimento, estes possuem um grande compromisso com a verdade.

De que falaremos meus amigos neste dia em que se comemora os sessenta anos de fundação do Grande Oriente de Minas Gerais. Não se pode deixar de registrar que hoje, pela primeira vez, a maçonaria mineira está preocupada com a política, com a supremacia econômica de uns povos em detrimento de outros, com a revisão do conceito de democracia levando em conta as sutis tiranias dos que detém os meios econômicos e tecnológicos para a produção de riquezas que carecem do espírito democrático defendido pela nossa instituição. Magnífico isto quer dizer que a maçonaria ainda vive. Como disse Ortega: "Um povo renasce por si mesmo quando se sente com uma nova vida, digna e alegre, onde todos têm sua missão. Das labutas dos cidadãos laboriosos, inquietos, depende esta unidade que é como a base de um renascimento histórico". Continuando neste raciocínio, "ao resolver-nos e sentir-nos tomamos esta posse de nós mesmos, e a constante possessão de si mesmo, que vai unida a quanto fazemos e somos, diferencia o viver de todo o resto. Sempre teve o homem a intuição desse conhecer-se, ver-se, esse dar-se conta era o atributo da vida".

O que propomos é uma associação de maçons em torno das idéias defendidas pela maçonaria. Não estamos propondo uma nova ordem, mas sim uma moderna ferramenta de interação que nos permita atingir nossos objetivos. "Nenhuma associação é justa, quando não tem por base a livre convenção dos associados; nenhuma sociedade é verdadeira, quando não tem por fim as vantagens dos indivíduos que a compõem. Um homem não pode, não deve impor leis a outro homem; um povo não tem direito algum a obrigar outro povo a sujeitar-se ás suas instituições sociais. O despotismo tem podido atropelar estas verdades, mas o sentimento delas ainda não pode ser de uma vez sufocado no coração do homem. É, porém, da natureza das instituições políticas que durem enquanto convém a felicidade de todos". Estas palavras foram ditas pelo grande maçom Padre Feijó e verifica-se a atualidade delas e a sua aplicabilidade nos dias de hoje.

Como o sistema pode garantir a felicidade se vivemos, na realidade, num mundo cercado de paredes, de barreiras, de portões? O progresso nada sabe sobre a imobilidade. Não se pode trazê-lo para um molde definitivo. Não se pode curvar-se diante o ditado, Eu Domino, Eu sou o dedo regulador do GADU, O progresso está sempre renovando, eternamente se transformando, sempre mudando, isto nos faz acreditar que podemos e devemos mudar as coisas como elas estão. Como disseram os país do liberalismo, este desequilíbrio da atualidade forçará a busca de um novo ponto de equilíbrio. Nós somos apenas os átomos de uma luta incessante em direção á luz que brilha na escuridão, somos o espírito da liberdade econômica, política dos povos.

"Á vista do futuro que avança sobre nós, voltemos ao presente e ao passado, para neles buscar os instantes que nos ajudarão nesse futuro que hoje se inicia. Viver é sempre sobreviver, viver amanhã, viver depois. Em suma, senhores, depois de todas essas cuidadosas advertências, chegamos a uma magnífica e conhecida verdade: A VIDA É UM ATO QUE SE PROJETA PARA FRENTE".
ALEA JACTA EST

Eduardo Teixeira de Rezende
Presidente do Conselho Gestor da Ação Maçônica Internacional - AMI